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Cubatão é mesmo uma cidade incrível, com uma vocação artística surpreendente. Para mostrar tudo isso é que foi criado este espaço virtual. O blog é dedicado a toda e qualquer manifestação cultural produzida aqui. Todos os segmentos da arte reunidos sem complicação ou frescura. Entre em contato...

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quarta-feira, 30 de junho de 2010

GRUPO RINASCITA AGORA É PATRIMÔNIO CULTURAL DE CUBATÃO


Uma apresentação no saguão do Paço Municipal marcou a assinatura do decreto nesta terça-feira (29/6). A solenidade abriu a programação da Semana Afonso Schmidt.

A tradicional Semana Afonso Schmidt de Cubatão foi aberta em grande estilo nesta terça-feira (29/6) com a assinatura do decreto que oficializa o Grupo Rinascita como patrimônio cultural da cidade. Os músicos se apresentaram no Saguão do Paço Municipal mostrando à comunidade toda a magia do grupo, que transporta, das partituras para os nossos ouvidos, a bela música dos períodos renascentista e barroco.

A partir de agora, o Grupo Rinascita é considerado um "bem imaterial" do município de acordo com Welington Borges, presidente do Conselho de Defesa do Patrimônio Cultural (Condepac). Para ele, Cubatão sai na frente com esse tombamento: "Não temos notícia de que outra cidade no Brasil tenha um grupo musical de época tombado como patrimônio cultural. É um grande passo em direção à preservação da nossa Cultura", afirmou Welington durante a cerimônia.


A apresentação musical em plena manhã na Prefeitura quebrou a rotina da população e dos servidores municipais, que ficaram impressionados com o som diferenciado do Rinascita. Usando alaúde, guitarra barroca, violoncelo, flautas doces e percussão, instrumentos réplicas dos utilizados entre os séculos XIV e XVIII, os 16 músicos do Grupo encantaram ao som das melodias de época. "Parece que eu viajei no tempo! Me senti num daqueles salões de baile da idade média", afirmou Ivone Souza, aposentada.

O chefe de Gabinete, Gerson Rozzo, representou a prefeita Marcia Rosa e falou sobre a importância de termos os chamados "bens imateriais", afinal, são eles que também garantem a identidade cultural de um povo. Para a secretária de Cultura e Turismo, Patrícia Campinas, a assinatura do decreto é uma grande conquista do cubatense. "O tombamento é um presente não somente para este grupo. Acredito que todos os músicos da cidade se sintam reconhecidos pelo seu valor e seu talento", disse a secretária. Estiveram presentes na cerimônia também os secretários Fernando Alberto Henriques Jr (Ação Governamental), José Roberto Calazans (Administração), Ronaldo Cardoso de Souza (Audit), além de Marcos Sadao Shirakawa, maestro da Banda Sinfônica de Cubatão.


São 35 anos de muita música – O tombamento foi um momento especial para a musicista Gênova Silva Soares, que faz parte do Rinascita desde o início, quando ela ainda era estudante de flauta no Conservatório nos anos 70. Emocionada, ela e outros músicos, representando três diferentes gerações, foram homenageados pelo diretor artístico do Rinascita, Albino de Oliveira. O Rinascita surgiu em 1974, dentro do então Conservatório Musical de Cubatão. Foi uma idéia do professor Rodrigo Augusto Tavares. O objetivo era levar ao público melodias das épocas medieval, renascentista e barroca, mas acabou ultrapassando os limites escolares. E de um projeto experimental foi oficializado como grupo integrante da Prefeitura de Cubatão em 1986.

Por ser um grupo que toca música de época, o repertório é sempre fruto de muita pesquisa. Agora, o Rinascita quer trazer ao público peças de Johann Caspar Ferdinand Fischer, um compositor alemão que é o grande responsável por levar o estilo barroco francês à Alemanha. "Bach e Handel conheciam a obra de Fischer e por vezes fizeram uso dela. São canções muito bonitas. Estamos estudando, também, um momento musical histórico da família real no Brasil, abordando a música do padre José Maurício Nunes Garcia no início do século XIX", disse o diretor artístico, fazendo planos para o futuro.

Texto: Morgana Monteiro
Fotos: Dilson Mato Grosso

ALUNOS DO PROGRAMA BEC SE ENCANTAM EM OFICINA DE MÚSICA


Eles passaram o dia no Instituto Bacarelli, na capital, onde tiveram aulas com músicos da Orquestra NDR, da Alemanha.

Acostumados a uma rotina de aulas que inclui teoria e prática de instrumento, na sede do Programa BEC, os alunos da Banda Escola de Cubatão tiveram uma oportunidade incrível esta semana: participaram de oficinas musicais com integrantes da Orquestra NDR da Alemanha. Os jovens acompanharam os master classes de violino, flauta, clarinete, trompete e trombone. Pelo menos 40 crianças e adolescentes embarcaram nessa viagem musical.

Em cada sala do Instituto Bacarelli, referência de projeto sóciomusical, o que víamos eram alunos interessados e dispostos a aprender dicas com quem vive da música. Os chamados master classes ou oficinas de música são muito utilizados para capacitação de instrumentistas profissionais. Mas tem sido comum hoje em dia integrar estudantes a este tipo de atividade porque os estimula a continuar buscando conhecimento musical.

As aulas foram ministradas no Instituto Baccarelli que hoje possui um prédio completamente destinado à formação musical, implantado em uma das áreas mais carentes de São Paulo, a Favela de Heliópolis. No complexo cultural, as salas de ensaio foram adaptadas para receber os estudantes de Cubatão e de outras cidades também.

Da técnica para alcançar notas musicais mais altas à maneira correta de segurar o instrumento musical, passando pelo tempo de respiração, pausa na melodia, intepretação, nada foi esquecido pelas "feras" alemãs que deram as aulas. Os músicos são contratados pela NDR Orquestra Filarmônica de Rádio, de Hannover, uma das mais versáteis da Alemanha. A NDR realiza anualmente inúmeras transmissões radiofônicas, turnês de gravação de cds, sendo muito requisitada por seu nível artístico e ousadia. Ganhou força no pós-guerra e se firmou com o passar das décadas, como uma das mais importantes orquestras do mundo. Além de participar dos master classes, a Orquestra se apresentou em várias cidades brasileiras no mês de junho, sob o comando do maestro Eiji Oue, comemorando os 60 anos de existência do Grupo.


Progama BEC – Banda Escola de Cubatão: O projeto foi criado em 2003 com o objetivo de levar conhecimento musical a crianças e jovens da cidade e, aos poucos, tornou-se um grande núcleo formador de músicos preparados para a profissionalização. São aulas de violino, violoncelo, viola, flauta, fagote, trompete, trompa, saxofone, eufônio, oboé, percussão, trombone, contrabaixo acústico, canto e musicalização infantil. Hoje o projeto tem mais 700 integrantes e além da sede que funciona dentro do Parque Anilinas, mantém núcleos em bairros como Vila dos Pescadores, Jardim Nova República, Vila Nova e Pilões.

Texto: Morgana Monteiro

BIBLIOTECAS MUNICIPAIS DE CUBATÃO TÊM NOVOS LIVROS À ESPERA DE]OS LEITORES


São quase 300 títulos diferentes, com destaque para Literatura Infantil. Os livros foram adquiridos com investimento do Governo Municipal e são, também, fruto de doações

O tempo em que Biblioteca Municipal era sinônimo apenas de livros de pesquisa já passou. As bibliotecas se modernizaram e é possível encontrar nas prateleiras romances de autores contemporâneos, títulos que muitas vezes figuram no topo da lista dos mais vendidos em livrarias de todo o Brasil. Em Cubatão, essa história não é diferente. E a Biblioteca Central da cidade vai além: está disponibilizando só este mês 279 novos títulos, fruto de investimento do Governo Municipal e de doações recebidas da Secretaria de Cultura do Estado.

Destaque para a renovação do acervo infantil. São 90 livros de escritores importantes como Eva Furnari, Ana Maria Machado, clássicos como "Poemas para crianças" de Fernando Pessoa, "Lili inventa o mundo" de Mário Quintana, "O mistério do coelho pensante" de Clarice Lispector e "Zoo" de Guimarães Rosa. A remessa inclui, ainda, títulos juvenis e adultos de autores de primeira grandeza tais como Moacyr Scliar, Nelson Rodrigues, Nelson Mota, Alice Ruiz (que recentemente esteve na Biblioteca de Cubatão participando do projeto Viagem Literária).

Para ter acesso a um dos títulos é fácil: basta se cadastrar na Biblioteca Municipal Central que fica na av. 9 de Abril, 1977. É preciso levar documento de identidade original e comprovante de residência. Os leitores podem, também retirar os livros nas outras unidades da Biblioteca que funcionam no Jardim Casqueiro, Jardim Costa e Silva (UME Padre José de Anchieta) e Vila Nova (UME Bernardo José Maria de Lorena). Outras informações estão disponíveis no blog www.bibliotecacubatao.blogspot.com .

Texto: Morgana Monteiro
Fotos: Dilson Mato Grosso

ESCRITORA DE CUBATÃO LANÇA LIVRO INFANTOJUVENIL

Em entrevista, Mô Amorim fala da criação de "A Nuvem Vermelha"

A escritora cubatense Mô Amorim está lançando seu primeiro livro, "A Nuvem Vermelha", que conta a história de uma menina, Lua, e seu crescimento até a vida adulta. O livro é uma publicação da Editora Adonis (www.editoraadonis.com.br) e conta com ilustrações de Nice Lopes, funcionária da Prefeitura de Cubatão (http://www.nicelopes.blogspot.com).

A história de Lua é a história de sua formação, da pré-escola à universidade, onde, apaixonada pela vida da natureza que a cerca, opta por Biologia. Embora não seja nomeada em qualquer momento, a cidade de Lua, com mangues e indústrias, percebe-se que é Cubatão.

As frases curtas, comuns nos livros voltados para crianças, se aproximam muitas vezes de versos, inclusive com rimas e repetições, mecanismo comum da oralidade e das histórias contadas que fisga o leitor/ouvinte. Na entrevista abaixo, a própria autora destaca esse aspecto, ao revelar que escreve "lendo as palavras em voz sussurrada". Um exemplo é o trecho abaixo, do Capítulo da Menina Sabida, que conta a rotina da menina da casa à escola:

"- Hora do colégio, Lua!

A mãe e as horas

- Você está atrasada!

- Viu que horas são?

- Lua! Falta um minuto pra uma!"

Por causa da habilidade da escritora, a história de Lua tem condições de ser acompanhada naturalmente por crianças e adolescentes mais jovens. Mas toda uma geração que cresceu em Cubatão nos anos 80, ou que conheceu a cidade, também vai se identificar com a protagonista porque, assim como ela, testemunhou o "Capítulo da Nuvem Cinza" que substitui a nuvem vermelha do título, na verdade uma revoada de guarás vermelhos:


"Faz tempo que Lua não vê mais

Nuvem vermelha

Passando pelo céu

Só nuvem cinza

Poluição

Gente tossindo

Natureza triste

Árvores secando".



A partir desta situação, a protagonista decide estudar biologia e tomar parte nas transformações que passam a ocorrer na cidade, até que a nuvem vermelha que dá nome ao livro, tão presente em sua infância, volta a sobrevoar a cidade.

Vale destacar o achado da escritora no uso das metáforas das nuvens cinza e vermelha para a poluição e para os pássaros. O próprio contraste entre as duas cores aponta para a mudança nos ares da cidade e o envolvimento da personagem em entender e fazer parte do processo.

A nova ficção de Cubatão – "A nuvem vermelha" surge em um momento em que a ficção realizada na cidade busca refletir o processo de industrialização, suas consequências ambientais, as tragédias e a recuperação ambiental. Em outra chave isso é o mesmo que ocorre na poesia onírica de Marcelo Ariel, autor de Tratado dos anjos afogados", e nas próprias ilustrações de Nice Lopes. São autores que fazem da arte uma forma de entendimento do mundo, nos moldes do que escreveu a ensaísta e crítica literária argentina Beatriz Sarlo:

"A literatura, é claro, não dissolve todos os problemas colocados [pela reflexão sobre a sociedade], nem pode explicá-los, mas nela um narrador sempre pensa de fora da experiência, como se os humanos pudessem se apoderar do pesadelo, e não apenas sofrê-lo".

As obras de Mô Amorim, Marcelo Ariel e Nice Lopes fazem isso.

A seguir, entrevista com a autora de "A nuvem vermelha", que mantém o blog Estripitize-se (http://estripitizese.blogspot.com):

1) Que livro é "A nuvem vermelha"? Que história ele conta? E para quem?

É a história de uma menina sonhadora chamada Lua. Enquanto ela cresce, o lugar em que vive sofre transformações drásticas, o que a incomoda muito. Ela sai atrás de respostas e acaba descobrindo a si mesma. É um convite ao sonho. Não ao sonho preguiçoso e acomodado, mas ao sonho que nos faz estudar, pesquisar, questionar os valores vigentes de um lugar. É complicado classificar uma faixa etária para um livro. Eu, por exemplo, comecei a escrever inspirada por um livro "Os risadinhas". E é um livro considerado infantil. Mas extremamente inteligente e com umas tiradas ótimas. Mas acredito que "A nuvem vermelha" terá maior correspondência entre crianças e jovens, que ainda podem fazer algo pela natureza.


2) E a personagem Lua, que tipo de espelho é ela da Lua, nosso satélite natural?

Lua, a personagem principal do livro, possui três características envolventes: sonhadora, sensível, forte e fascinante. Quase como a lua, que possui quatro fases, e cada uma com suas características, Lua tem tudo a ver mesmo com nosso satélite natural, como você mesmo afirmou em sua pergunta. Como a literatura tem muito de símbolos, eu quis esse mistério que a lua traz. A lua simboliza algo oculto, que está para se revelar a qualquer momento. E isso acontece na narrativa. Lua é sonho e ao mesmo tempo, é ação revelada por sua força. É sensível, a ponto de perceber o que a cerca, e fascinante por conseguir encantar.



3) Como está o lançamento do livro? Terá noite de autógrafos?

Ainda preciso confirmar uns lugares. Como conheço muita gente, fica complicado. (risos). Tenho meus alunos que viraram amigos, e tenho também os amigos. Mas gostaria de duas noites de lançamento: uma em Cubatão, pois devo muito a esta cidade na qual passei minha infância e adolescência, e outra em Santos, que é a cidade que escolhi para ficar velhinha. Não posso falar de espaços porque ainda não conversei com as pessoas responsáveis.


4) O fato de ter ilustrações teve que tipo de influência na concepção do livro?

Bem, eu tinha uma encomenda com prazo: escrever uma história sobre ecologia em seis dias. Quando o plano é escrever um conto, por exemplo, eu já sei que ele não vai ser ilustrado. Então, eu tento esgotar todas as formas de compreensão do leitor buscando na palavra o desenho da cena. Eu tinha um número de páginas para respeitar. Também já sabia que não poderia explicar tudo, "ilustrar" com palavras minhas ideias, para não cansar o leitor mirim. No caso deste livro, tudo foi muito particular. O "casamento" entre ilustração e narrativa foi tão perfeito que dá quase a sensação de que a ilustração veio antes. É meio complicado de se entender, mas isso torna tudo mais divertido. A verdade é que eu já tinha o final do livro na cabeça. Parece engraçado isso, não? Eu não tinha o miolo do livro, nem tampouco seu início. Apenas o final. Mas o mais interessante é que o final veio a mim não por palavras, e sim por imagens. È que quando escrevo, na verdade, estou vendo. Quando escrevo, remonta em mim uma cena estática, uma pintura, um quadro, uma ilustração. E sempre é assim. Eu vi a Lua adulta, linda, sensível e forte, suja da lama do mangue úmido e vi guarás-vermelhos voando sobre ela, arrancando, num gesto de gratidão, suas próprias penas e jogando sobre a heroína, formando nela um vestido. Era uma imagem de sonho. Enquanto eu sonhava com a narrativa, eu sabia que não existia outra pessoa que pudesse traduzi-la que não fosse minha amiga Nice Lopes. Nós nos conhecemos desde a infância e ela é a melhor ilustradora que conheço para traduzir minhas idéias. Ela me deixou muito à vontade para explicar minhas imagens mentais. O incrível é que ela conseguiu traduzi-las perfeitamente. E foi muito gentil quando perguntava a mim se era aquilo mesmo que eu havia imaginado. Eu posso dizer que ela continuou o livro, porque há sempre um texto guardado nos desenhos dela. Agradeço aos céus por este encontro, pois a Nice foi minha grande incentivadora a criar meu blog. Foi aí que tudo começou.


5) Que escritora é Mô Amorim? O que você busca na escrita?

Eu não sei ainda. Na verdade, não tenho a palavra 'escritora' grudada de forma leve em minha língua. Não sai fácil. Não me apresento como escritora, por exemplo. Eu sei que leio porque tenho medo de avião e por causa disso deixarei de ir a muitos lugares com que sonhei. E a leitura me leva. Mas quanto a escrever, acho, às vezes, ser um atrevimento meu. Talvez não consiga responder a esta pergunta sua sobre qual escritora é Mô Amorim. Mas tentarei descobrir agora mesmo (risos) por que escrevo. Bem, porque coisas me tocam. Eu sou de poros. E tenho um coração que gosta de dividir sensações. Então, se vejo a um filme que me toca, uma música que me embala, uma vitrine que me chama ou uma cor mais carmim no meu dia, eu gosto de escrever sobre isso. Eu me derreto quando escrevo. É como um violino num acorde cortante. Eu escrevo para me sentir. Isso é tão forte, não é? E eu sei que parece piegas, mas essa é toda a verdade. (risos) Eu sei que já escrevi pra ser amada. Não deu certo. Nunca. (risos de novo) Também já escrevi pra me vingar. Mas escrever acaba sendo sempre esse traço torto que sai de dentro, e nunca sai como quero. Há certos dias em que não consigo escrever, digitar um 'oi' a um amigo. Já cheguei a um ponto em que os dedos viraram meu aparelho fonador. Eu escrevo lendo as palavras em voz sussurrada. Para mim. Talvez por isso escrever seja algo tão intenso. É como se eu quisesse mostrar o poço que tem lá dentro. Mas daqui a pouco esse poço vira um oceano, e eu não sei mais o que escrever, como achar a palavra que descreva o profundo de lá. Isso me fez lembrar agora do saudoso Rodrigo de Sousa Leão quando afirmava que é preciso escrever pra gente. É isso: escrevo pra mim.


6) Para fechar: como andam os planos e projetos para frente?

Bem, antes de finalizarmos, quero agradecer imensamente por esta oportunidade de expressar o que sinto em relação à escrita. Isso, de certa forma, constrói parte do que sou. Agora, quanto aos meus planos, posso afirmar que são planos felizes e bobos. Felizes porque são divertidos e me trazem paz. Bobos, porque são simples, despretensiosos. Eu gostaria muito, Alessandro, de conseguir ver o livro "A nuvem vermelha" sendo objeto de leitura para alunos de Cubatão. Já existe um projeto pronto para isso, mas precisa de incentivos, ou seja, do patrocínio de alguma empresa ou órgão interessado em aumentar a cultura na cidade. Eu fico muito triste por constatar que não há uma livraria sequer em Cubatão. Isso me deixa envergonhada, constrangida, triste mesmo. Eu peço para meus alunos lerem, e eles não têm um lugar em sua cidade para comprar livros. Não digo só comprar, mas visitar também. O espaço de uma livraria não é apenas comercial, mas cultural. Ali um jovem pode entrar em contato com mundos diferentes do seu, ampliar horizontes, descobrir seus próprios caminhos. Será que os moradores só precisam de roupas, comida e carros? Eu criei meus filhos levando-os a ouvir e ler histórias em livrarias. Eu gostaria que outros pais tivessem também este privilégio, de conceder aos filhos o gosto pela leitura. As coisas boas que tive na vida, eu sempre desejo a todos. Quanto aos projetos mais pessoais, pretendo reunir meus textos do blog (www.estripitizese.blogspot.com) em um livro. Ah! Eu me enganei, esse sim seria um baita sonho grande! O blog já teve mais de 35 mil acessos e, através dele, já fiz muitos amigos entre leitores e escritores. Tem sido um espaço onde posso mostrar minha escrita sem amarras, como sugere o próprio nome do blog no imperativo: "Estripitize-se", ou seja, solte-se, mostre a alma, mente e coração. Escrever é mostrar-se, desnudar-se das palavras presas. E eu, Alessandro, sempre quis ser livre!

Texto: Alessandro Atanes
Foto: Ilustração de Nice Lopes

CORAL CANTO MÁGICO FAZ ENSAIO ABERTO NESTA QUINTA-FEIRA NO ROTARY CLUB

Objetivo é apresentar à comunidade as etapas de um ensaio do grupo, formado por crianças e jovens de 6 a 18 anos

O Coral Petrobras Canto Mágico realiza na próxima quinta-feira, dia 1º de julho, seu ensaio aberto anual, das 18h30 às 20h, nas dependências do Rotary Club de Cubatão (Rua 15 de novembro, 90 – Vila Nova). O objetivo é mostrar todas as etapas de um ensaio de coral, desde o aquecimento vocal até a preparação corporal e o estudo de repertório.

Regido pela professora Sonia Onuki e com a participação da assistente Silene Maia, da pianista Juliana Góes e da diretora cênica Eliana Tavares, o Coral Canto Mágico é formado por 75 crianças e jovens de 6 a 18 anos. Segundo a maestrina, o ensaio aberto é dirigido a professores, gestores, artistas, dirigentes e à comunidade em geral.

Criado em junho de 1994, o Coral Canto Mágico tem patrocínio da Refinaria Presidente Bernardes (RPBC)/Petrobras e apoio do Rotary Club de Cubatão. Já passaram pelo grupo cerca de 900 crianças nos seus 16 anos de existência.

Texto: Cecília Beu

sexta-feira, 25 de junho de 2010

ALICE RUIZ QUER SER CHAMADA DE POETA


Em verso e prosa, a escritora brindou Cubatão com sua participação no projeto Viagem Literária. A Biblioteca Central ficou lotada

O compromisso poético que Alice Ruiz assumiu é com a autoexpressão. Dona dessa e de outras considerações, a escritora esteve na Biblioteca Central da Cubatão, participando do Projeto Viagem Literária, nesta quarta-feira (23/6). A casa ficou lotada: presente para qualquer escritor que vem expor suas idéias, havia muita gente interessada em escutar o que Alice tinha a dizer. E ela começou com sua história de vida, costurando ponto a ponto junto às suas roupas poéticas: letra de música, poesias haikai e tradicional.

Lembrou do tempo em que sua família achava uma grande perda de tempo se dedicar à leitura. Escondia-se para ler e para escrever. “Descobri que nasci para fazer poemas lendo Mário Quintana. Poesia é uma vocação, a gente só trabalha isso com o passar dos anos”, afirmou. Ela disse que a sua carreira como escritora aconteceu por prazer e uma necessidade da alma. A autora não consegue se imaginar sem esse viés de autoexpressão. Para ela, todo ser humano precisa encontrar o que lhe garante essa manifestação de si mesmo: seja fazendo poesia, costurando, cozinhando, educando crianças e até mesmo construindo prédios... porque é um fator interior.

O bate papo com a escritora é parte do projeto Viagem Literária, da Secretaria de Cultura do Estado. Até o fim do ano, várias bibliotecas públicas paulistas receberão atrações mensais ligadas à literatura. E desde a primeira edição do projeto em 2008, Cubatão participa dessa grande “Viagem”. Foi o primeiro município da Baixada Santista a aderir ao Programa. O objetivo é estimular o prazer da leitura e formar novos frequentadores de bibliotecas públicas. Em agosto, vai ter Contação de Histórias, com outro escritor.

Para Alice Ruiz, a oportunidade de estar em contato com o público e saber o que as pessoas acham de seu trabalho é muito interessante, uma vez que ela atua em várias frentes na literatura. Já lançou 19 livros entre poesia, traduções e uma história infantil. E vem se dedicado bastante à poesia chamada haikai, que descobriu ao lado do também poeta Paulo Leminski (1944-1989), com quem já foi casada.

Originários do Japão, os poemas haikai têm características especiais como: falam sobre a natureza e coisas concretas; são curtos, de apenas três linhas; coloca o homem em harmonia com a realidade. Criados para refinar a sensibilidade de quem vivia nos mosteiros da renascença ou apenas por diversão na corte imperial, o haikai encantou Alice a ponto dela se aprofundar, estudar o tema e há algum tempo, e além de escrever, ministrar oficinas sobre o assunto. Ela diz que através dessa poesia vemos significados que só aprendemos com a natureza. “O haikai é praticamente uma fotografia em palavras”, considerou. Muitos de seus haikais podem ser lidos no site www.aliceruiz.com.br .Este é um deles:

“o vento passou
restou apenas
o aceno das árvores”.



Ela quer ser chamada de “poeta”: Alice Ruiz gosta de escrever sobre a vida. Para ela, poesia é a expressão do pensamento, traz consigo um sentimento contemporâneo, apontando para onde as coisas seguem. E por isso mesmo, quando perguntada sobre o papel da mulher na literatura brasileira, a escritora ponderou: “Temos que caminhar muito, ainda”.

Alice comentou que antigamente não existia “poetisa”, todo mundo era “poeta”. Com as batalhas do início do século passado, os homens foram para a guerra e as mulheres assumiram outros papéis, além de serem esposas e mães. Quando esses homens voltaram do front, essas mulheres também retornaram aos seus postos iniciais e passaram a ser chamadas de poetisas. “Eu vejo que naquele momento as pessoas não queriam que as mulheres pensassem. Poetisa é uma palavra carregada demais. Prefiro ser chamada de poeta”, afirmou, acidamente.

Uma das facetas mais admiráveis de Alice Ruiz é a de compositora, e ela também falou sobre isso. Enquanto o haikai encontra a fonte na natureza, a poesia e letra de música são inspiradas em “gente”. Já fez parcerias com Arnaldo Antunes, Itamar Assumpção, Ná Ozzetti, Zeca Baleiro, entre outros. Em 2005 lançou com Alzira Espíndola o CD Paralelas. Já garimpou pensamentos que se transformaram em lindas canções como “Milágrimas”, interpretada por Zélia Duncan.


Na tarde desta quarta-feira, Alice Ruiz recitou algumas letras, entre elas, “Sem receita”, que traz uma inesperada receita de frango. Muitos podem ter pensado: “receita de frango? Algo tão comum, cotidiano...”. Mas não é não: é poesia da melhor qualidade:

“Primeiro lenta e precisamente
Arranca-se a pele
Esse limite da matéria
Mas a das asas, melhor deixar
Pois se agarra à carne
Como se ainda fossem voar
...
E o peito nu
Com sua carne branca
Nem lembrar a proximidade do coração
Esse não!
Quem pode saber como se tempera o coração?”


Texto: Morgana Monteiro
Fotos: Rodrigo

CIA DE DANÇA DA SINFÔNICA DE CUBATÃO ABRE FESTIVAL NO INTERIOR DO ESTADO


O 3º Festival Gala Studio A vai reunir as melhores companhias do interior, na cidade Vinhedo. A Cia de Dança é a convidada especial e apresentará três coreografias.

A agenda da Cia de Dança da Sinfônica não pára. Na próxima sexta-feira, os bailarinos seguem viagem até a cidade de Vinhedo. O Grupo foi convidado para abrir o 3º Festival Gala Studio A, competição de dança já tradicional no interior do estado. A apresentação é dia 25/6 a partir das 20h no Teatro Municipal Sylvia de Alencar Matheus.

A Cia de Dança vai apresentar três montagens no evento. A primeira será "Lamentos do mar", coreografia vencedora do Mapa Cultural Paulista, quando a Cia venceu a etapa, sendo a representante de toda a Baixada Santista. Mostra o cotidiano de uma vila de pescadores, seus amores e desencontros. O público também terá a oportunidade de conferir "Iracema", música-tema composta por Adoniran Barbosa. A coreografia é uma homenagem a este grande nome da MPB. Utilizando técnicas contemporâneas, a montagem mistura dança e teatro e encanta pelo inesperado.

A noite vai terminar ao som dos anos 50, com a apresentação de "Golden Days". A coreografia faz uma viagem pelos chamados "Anos Dourados": é genial, alegre, colorida, cheia de jazz. O figurino é impecável, com direito a vestido de cetim e muito glamour na maquiagem, rabos-de-cavalo à la Brigite Bardot, coques gigantes. Todos ali, com certeza, serão transportados para aquela época.

Com 10 anos de existência, a academia Studio A acumula mais de 150 premiações em festivais como Passo de Arte, Festidança, Dança Ribeirão, Enda e Festival de Dança de Joinvile, e já tem tradição por organizar Festivais e Competições de Dança. Desta vez, na sua 3º edição, o evento vai reunir academias de várias cidades, onde os grupos competirão nos estilos ballet, jazz e sapateado.

Texto: Morgana Monteiro

foto: Jefferson Fernandes