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Cubatão é mesmo uma cidade incrível, com uma vocação artística surpreendente. Para mostrar tudo isso é que foi criado este espaço virtual. O blog é dedicado a toda e qualquer manifestação cultural produzida aqui. Todos os segmentos da arte reunidos sem complicação ou frescura. Entre em contato...

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quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010

PEQUENO GRANDE TALENTO: O CUBATENSE RAFAEL PIVATO


O jovem músico, um trompista de apenas 11 anos, foi aprovado na EMESP – Escola de Música do Estado de São Paulo “Tom Jobim”, uma das mais importantes do país.

A vocação artística de Cubatão continua florescendo e agora, em pessoas cada vez mais jovens. Um exemplo disso é Rafael Pivato, de apenas 11 anos, que integra a Banda Marcial Infantil da cidade. O pequeno músico foi aprovado no teste e garantiu uma vaga para estudar na EMESP, Escola de Música do Estado de São Paulo “Tom Jobim”, um dos centros de aprendizagem musical mais concorridos do país. “Fiquei muito feliz em conseguir a vaga e não vejo a hora das aulas começarem”, diz Rafael, cheio de expectativas.
Em meio a mais de
30 candidatos, o pequeno músico ficou com o honroso 4º lugar. Em março começa a freqüentar as aulas teóricas e práticas do instrumento chamado “trompa”. Para o maestro Paulo Henrique, regente da Banda Marcial Infantil, essa grande conquista é motivo de muito orgulho: “Esse é o resultado de muito esforço e trabalho por parte da equipe da Banda Marcial Infantil em conjunto com os pais e alunos”, afirma o maestro.

Rafael Pivato Silva começou a estudar música bem cedo, aos 4 anos de idade, por influência dos familiares que integravam o grupo musical de uma igreja evangélica e foi incentivado, principalmente, pelo tio Rubens Araújo, que também é músico - toca “tuba” na Banda Sinfônica do Estado. Desde então, Rafael não parou mais. Dos primeiros ensinamentos no curso de Musicalização do BEC com a professora Claudete, passou a integrar a Banda Marcial Infantil alguns anos depois.


A escolha do instrumento foi bastante curiosa: Rafael queria mesmo tocar violino, mas como é canhoto, encontrava dificuldades em praticá-lo, uma vez que teria que usar as cordas invertidas. Como a trompa é um instrumento em que o músico aciona as teclas ou “chaves” com a mão esquerda, o jovem preferiu seguir este caminho. A paixão pelo timbre incorpado só veio amadurecer a decisão.
Como qualquer outro menino de sua idade, Rafael Pivato, morador do Jardim Casqueiro, tem outras suas preferências: pratica caratê e é apaixonado por trilhas sonoras de filmes de ação e ficção científica, figurando entre seus preferidos, os temas de Star Wars e Indiana Jones. Os pais dele sabem que a música deve ser o destino do filho e que neste sonho, a oportunidade de estudar na EMESP será o caminho para revelar ao Brasil, quem sabe, o talento de um grande trompista.

Texto: Morgana Monteiro

quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010

PEÇA FANDO E LIS É DESTAQUE NO TEATRO DO KAOS


Despreparados, infantis e movidos por seus impulsos e desejos, Fando e Lis caminham em um mundo onde a comunicação é mais e mais problemática. Encontram-se imersos na incompreensão do que seja o amor e, na própria incapacidade para situar-se e reconhecer-se, afundam-se num labirinto vazio e sem qualquer possibilidade de remissão.

Esta releitura de Fando e Lis, texto do dramaturgo espanhol Fernando Arrabal, pretende por em cheque o uso da razão, ou melhor, a falta de uso dela. Afinal, existe mesmo razão? Até que ponto a utilizamos? Quem tem razão... depende do ponto de vista de cada um? Não estará ela prejudicada pela marca das crenças inventadas por nós?

DIAS: 27 e 28 de Fevereiro às 20:00 hs
LOCAL: Teatro do Kaos - Cubatão/SP
Praça Cel. Joaquim Montenegro, 34 Largo do Sapo
VALOR: R$ 8,00 (inteira) R$ 4,00 (meia).
Disponíveis 1 hora antes no local.
Classificação: Para maiores de 14 anos.


Ficha Técnica
Texto: Fernando Arrabal
Tradução: Wilson Coelho
Adaptação e Direção: Alexandre Mendonça
Cenografia: Alexandre Mendonça e Emanuella Alves
Iluminação e operação de luz: Juliana Sousa
Figurino: Alexandre Mendonça e Cia Veritas
Maquiagem: Juliana Sousa
Sonoplastia: Alexandre Mendonça
Operação de som: Déia Oliveira
Produção Executiva: Ernani Sequinel
Produção: Cia Veritas

BANDA SINFÔNICA: DE CUBATÃO PARA A ÁUSTRIA


Será a primeira sinfônica latino-americana a participar do Mid Europe, um dos mais importantes festivais de música clássica do mundo. A viagem acontece em julho.

Dentro de alguns meses, a música que brota dos instrumentos de sopro e percussão na cidade de Cubatão vai encher salas de espetáculos no coração da Europa! A Banda Sinfônica participa em julho, na Áustria, do Mid Europe 2010, um dos festivais de música clássica mais importantes do planeta. A Sinfônica foi convidada para participar de uma série de apresentações no Festival, incluindo o Concerto de abertura, e será a única representante de toda a América Latina.
O convite partiu do maestro Johann Suppan Mösenbichler, diretor artístico do Mid Europe, que reconheceu na Sinfônica de Cubatão, o pioneirismo em relação ao riquíssimo repertório latino-americano apresentado em concertos musicais. Mais uma vez, foi a qualidade da Sinfônica que fez a diferença. Muitos podem chamar de sorte, mas o coordenador artístico da Banda Sinfônica, maestro Roberto Farias, prefere dar a tudo isso o nome de trabalho e dedicação.

A Sinfônica, com uma delegação de 90 pessoas entre músicos e equipe técnica, participará do Festival de 13 a 18 de julho. A oportunidade é incrível não somente para a Banda de Cubatão, mas para a música latino-americana como um todo. A Sinfônica foi convidada a realizar uma série de concertos, percorrendo várias cidades austríacas, entre elas, Villach, Linz e Salzburg, levando um repertório até então inédito para o público europeu. A lista contempla músicas de compositores brasileiros como Villa-Lobos, Camargo Guarnieri, Egberto Gismonti, João Victor Bota, Fernando Morais e Roberto Farias e ainda, a nata de compositores latino-americanos, entre eles, Astor Piazzola, Vicente Mocho, Nestor Alderete e Roberto Pintos.

Os músicos brasileiros dividirão o palco com outros 2500 instrumentistas de 15 diferentes países e estarão em pé de igualdade com Bandas e Orquestras da Áustria, França, Finlândia, Japão e Alemanha. Mas para que essa viagem musical aconteça, a Banda ainda espera por patrocínio. O projeto, com amparo da lei Rouanet de incentivo à Cultura, está disponível para empresas que desejem patrocinar esse sonho fascinante de levar a música latino-americana até a Europa.

Enquanto a bela paisagem do verão europeu passar pela janela, a Sinfônica de Cubatão quer mostrar ao mundo como a música clássica latino-americana tem crescido, incorporando influências características dos trópicos, sem, contudo, perder a originalidade e requinte. A idéia de que os países latinos só produzem samba, salsa, tango e outros ritmos característicos está ultrapassada. O que os instrumentistas da música clássica tem em comum é o amor pela música: “Você só toca bem a música pela qual está verdadeiramente apaixonado”, diz o pianista polonês Piotr Anderszewski. É verdade. De um ou do outro lado do oceano Atlântico, a premissa é a mesma para quem gosta da boa música clássica.


A importância do Mid Europe: Repertório antigo ou novo, conhecido ou desconhecido, mensagem direta ou visionária – a música regional e internacional é oferecida em grande estilo, tornando o Mid Europe uma janela para o mundo musical desde 1997. Orquestras de sopro, professores, músicos, regentes, compositores, editores de música, expositores, e, sobretudo, a presença de um público interessado e exigente fazem do Festival um dos mais importantes eventos do gênero em todo o mundo. Além do ciclo de apresentações, os profissionais participam de oficinas, palestras, master classes e tem à disposição uma grande feira de música e instrumentos.
O foco do Festival é promover a música de concerto de alta. A variedade de estilos apresentados durante o Mid Europe é fascinante e o público tem se mostrado cada vez mais entusiasmado. Reúne dezenas de bandas sinfônicas e orquestras de sopro da Europa e alguns grupos convidados de outros continentes, figurando entre eles, este ano, a Banda Sinfônica de Cubatão.

Texto: Morgana Monteiro

NOVOS PATRIMÔNIOS CULTURAIS DE CUBATÃO


Grupo Rinascita de música antiga e Cemitério israelita podem se tornar patrimônios culturais de Cubatão.

Dois importantes bens de Cubatão devem se tornar, em breve, patrimônio cultural da cidade. O Cemitério Israelita e o Grupo Rinascita de Música Antiga serão os primeiros processos de tombamentos a serem abertos pelo Condepac nessa nova gestão. O Conselho de Defesa do Patrimônio Cultural se reuniu nesta terça-feira (23/2) para delinear as primeiras ações da equipe.

Com o tombamento, o Grupo Rinascita de Música Antiga seria reconhecido como o primeiro bem imaterial do município. Fazendo parte dos Corpos Estáveis da administração municipal, o Rinascita executa música renascentista e barroca, resultado de muita pesquisa em partituras escritas dos séculos XV a XVII. O diferencial do Grupo são os instrumentos musicais, réplicas daqueles utilizados nos grandes bailes medievais. São alaúdes, guitarras barrocas, flautas doces, vários instrumentos de percussão, entre outros.

Composto por 16 músicos profissionais, não há notícia em nossa região de outro grupo com essas características. O processo de tombamento do Rinascita só vem confirmar sua importância para o município, uma vez que até mesmo o grande compositor Gilberto Mendes afirmou na década de 80 que, na época, o Rinascita era o melhor momento musical de Cubatão. A Secretária de Cultura e Turismo, Marilda Canelas, participou da criação do Grupo em 1974 e afirmou com orgulho: “Fui eu quem sugeriu ao maestro Rodrigo Tavares, idealizador do Grupo, este nome, ‘Rinascita’, que nos transporta a uma viagem musical no tempo”.


Outro desafio para os 14 novos integrantes do Condepac é a abertura do processo de tombamento do Cemitério Israelita de Cubatão. Instalado dentro do cemitério municipal, poucas pessoas sabem o que há por trás daqueles portões fechado, adornados com enormes estrelas de Davi. Com 800 metros quadrados, 75 sepulturas feitas em granito (55 de mulheres e 20 de homens), possui pequenos jardins e piso “copacabana”, já foi tema de pesquisa acadêmica. A lápide mais antiga data de 1924 e a mais recente é de 1966.

A curiosidade habita no fato de lá estarem enterradas em sua maioria, as chamadas “polacas”, mulheres judias que no início do século XX deixaram o leste europeu atingido pelo anti-semitismo em direção à América e acabaram sendo exploradas na região. A garantia de reconhecimento do Cemitério Israelita como patrimônio cultural da cidade prevê abertura do espaço para visitação pública, restauração dos túmulos e inclusão do local em roteiros históricos. Representa a preservação da memória não somente das pessoas enterradas ali, mas também de um capítulo da história da imigração judaica no Brasil.

Outros desafios
– a nova gestão do Condepac tem muito trabalho pela frente. O Conselho quer, ainda este ano, definir os processos de preservação das vilas operárias da Fabril e da Light e Parque Anilinas, bem como criar planos de uso e valorização do Largo do Sapo. De acordo com o presidente do Condepac, Welington Borges, “não é só realizar o tombamento, mas propor políticas de preservação, restauração e uso adequado destes patrimônios".

Há também a atuação junto à Prefeitura de Santo André para a inclusão da estação ferroviária da Raiz da Serra no projeto de transformação da Vila de Paranapiacaba em Patrimônio da Humanidade. Para que tudo isso ocorra, o presidente acredita na integração com o Conselho de Cultura e o de Turismo. Todas as informações sobre o Condepac, suas atribuições e muitas curiosidades podem ser encontradas no www.condepaccubatao.blogspot.com . O blog tem ainda uma seção com os principais documentos e cartas sobre políticas de preservação do patrimônio em todo o mundo.

Texto: Morgana Monteiro

quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010

INDEPENDÊNCIA É CAMPEÃ DO CARNAVAL DE CUBATÃO


A agremiação venceu pela sexta vez consecutiva o Desfile Oficial das Escolas de Samba. A Unidos do Morro ficou com inédito segundo lugar

A Independência é a escola de samba campeã do Carnaval 2010 de Cubatão. A agremiação do Jardim Casqueiro foi a melhor na passarela do samba e recebeu 199,5 pontos dos jurados, conquistando - pela sexta vez seguida - o título em Cubatão. A Unidos do Morro conseguiu o segundo lugar pela primeira vez na sua história, somando 197 pontos. O terceiro lugar ficou com a Nações Unidas, que foi bastante penalizada, e registrou 14,7 pontos no total. A apuração terminou no início da noite desta segunda-feira (15/2) no Centro Esportivo Castelão.

Com o enredo "No caminho das águas, a esperança, nas margens do velho Chico, a lembrança", a Independência homenageou o Rio São Francisco, recontando lendas e as figuras ilustres que navegaram por ali. Os 1.500 componentes, divididos em 15 alas, representaram as histórias deste rio tão conhecido e querido pelos nordestinos, que compõem grande parte da população cubatense. Para Severino Batista "Tatai", presidente da agremiação, o mérito de todo o sucesso consecutivo da escola é devido ao empenho que toda a comunidade tem durante o ano: "Estamos felizes porque trabalhamos muito para estarmos aqui comemorando", afirmou Tatai.


O tema conquistou os jurados que deram nota 10 para os quesitos: Fantasia, Alegoria, Comissão de Frente, Samba-enredo, Mestre-sala e Porta-bandeira. A Bateria da agremiação, que também recebeu nota máxima, fez a festa em branco e vermelho em frente ao Centro Esportivo, saindo em comitiva pela rua. A comemoração invadiu a madrugada no barracão da Escola, que fica na Rua Joaquim Jorge Peralta, no Casqueiro.

A ousadia foi a marca da Independência nesse hexacampeonato. A começar pelo carro abre-alas, tendo uma sereia gigante como figura principal. Não faltaram efeitos especiais como gelo seco e movimento de figuras míticas. A agremiação também misturou o profano e o sagrado, com uma ala inteira formada por são-franciscos. A Independência foi fundada em 1976 e desde 2005 é campeã do Carnaval de Cubatão. Em 2006 foi campeã do Carnaval Metropolitano em Praia Grande e sagrou-se heptacampeã de 1978 a 1984 em Cubatão. Também conquistou o primeiro lugar no 2º Grupo das Escolas de Samba de Santos.

Unidos do Morro, inédito 2º lugar – A caçula do Carnaval de Cubatão conquistou, pela primeira vez, a segunda colocação, ficando apenas dois pontos atrás da campeã. A Unidos do Morro foi unanimidade nos quesitos Comissão de Frente e Samba-enredo, obtendo a nota máxima. Quando anunciado o resultado final, os integrantes da Mocidade Unidos do Morro comemoravam beijando o pavilhão da escola, fazendo uma linda festa em verde e amarelo.



A Unidos do Morro vem se destacando nos últimos carnavais pelo crescimento acelerado e qualidade do desfile apresentado. Este ano, com o enredo "Da criação da roda ao espaço... a evolução dos transportes", a agremiação deu um salto, trazendo uma Comissão de Frente completamente inovadora: homens das cavernas em acrobacias sobre uma roda de metal gigante. E os transportes foram evoluindo na interpretação dos 1.000 componentes divididos em 13 alas: carruagens, caravelas, balões e naves espaciais completaram a noite de imaginação e sonho. "A comunidade está de parabéns porque é uma escola guerreira, que batalha o ano inteiro para fazer uma festa de criatividade", comemorou Fábio Ferreira Índio, presidente da Unidos do Morro.

Nações Unidas – Já a agremiação Nações Unidas foi penalizada com a perda de 181 pontos: ausência do nome da escola no carro abre-alas, falta de componentes na ala das baianas e o não cumprimento do número mínimo de integrantes exigido para o desfile, ficando em terceiro lugar na classificação final. Mesmo, assim, obteve boas notas dos jurados, conseguindo, inclusive, nota máxima na Comissão de Frente. A agremiação teve problemas na avenida, atrasando a entrada na passarela do samba por cerca de uma hora, fato atribuído à demora no transporte de fantasias da Vila Nova - bairro onde fica agremiação - até o Jardim Casqueiro. Mas este atraso não foi computado, diante da dúvida sobre quem seria o responsável pelo problema - a escola ou a empresa contratada pela Prefeitura para fazer este tipo transporte. Mesmo assim, a Nações Unidas fez um desfile emocionante com o enredo "Karup, uma festa de vida e morte no alto do Xingu", contando os rituais de passagem dos índios brasileiros.




Além de troféus, as agremiações recebem premiação em dinheiro: R$ 70 mil para o 1º lugar, R$ 50 mil para o 2º colocado e R$ 20 mil para o 3º lugar. Os cheques serão entregues em evento a ser marcado pela comissão organizadora.

quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010

CUBATÃO ELEGE DELEGADOS DO CONSELHO DE CULTURA

Aos artistas em geral

A Secretaria de Cultura e Turismo de Cubatão informa que no dia 06/03 a partir das 14h, acontecerão as PRÉ-CONFERÊNCIAS DE CULTURA nos seguintes locais e divididos nos segmentos:

ARTES PLÁSTICAS - LITERATURA - FOLCLORE - ARTESANATO - CULTURA POPULAR - MÚSICA
Local: Escola Bernardo JOsé Maria de Lorena
Av. Nossa Senhora da Lapa, 785 - Vila Nova

TEATRO - CIRCO - DANÇA - CARNAVAL
Escola Padre José de Anchieta
Rua Salgado Filho, 130 - Jardim Costa e Silva

Nas pré-conferências serão eleitos e/ou indicados os DELEGADOS que poderão concorrer a uma vaga no Conselho Municipal de Cultura. A eleição acontecerá no dia seguinte, 07/03 às 15h no Anfiteatro da Câmara Municipal.

ATENÇÃO: SÓ PODERÃO PARTICIPAR DA ELEIÇÃO OS NOMES ESCOLHIDOS NO DIA ANTERIOR, DURANTE AS PRÉ-CONFERÊNCIAS.

Outras informações:
33620844/30259005 Koquinho Guerreiro
33620848/0849 Soraya Caruso

Fonte: Koquinho Guerreiro

ARTISTAS: CONSUMIDORES E CIDADÃOS


O que faz o artista hoje para se manter vivo, independente, alerta, cidadão?

Como lidar com o avanço do capitalismo, a consequente ocupação do espaço imaginário por conglomerados globais, o Estado diminuto, as identidades fragmentadas e as ideologias desgastadas?
Tomo emprestado a frase de Nestor Garcia Canclini para propor uma discussão a respeito da importância da cultura do consumo, numa sociedade em que o status de cidadão só é conferido somente a quem exerce o poder da compra.

Por esse motivo sempre fui defensor de programas como bolsa-família, mesmo sabendo de suas distorções e da dificuldade do Estado em propor algo que extrapole e avance na relação paternalista com quem vive à margem da economia. Essa situação fica mais delicada e frágil em época eleitoral.

O fomento aos processos culturais descentralizados, contemporâneos ou tradicionais, legitimados pelo diálogo entre local e global, pela cultura da convivência e pela economia solidária, é um dos caminhos mais atraentes e interessantes pensados pelo governo Lula, pois oferece possibilidades reais de conquista de cidadania, em territórios tomados por sobreposições de mandatos ilegítimos, conferidos a coronéis, oligarcas, mídias e corporações.

O governo vem encontrando brechas na relação entre a base da pirâmide e esses poderes estabelecidos, fazendo-se presente a ponto de alterar a configuração da sociedade. Uma oportunidade de refazer a própria noção de Estado. O problema é que governo forte demais enfraquece o Estado.

Corremos o risco de reforçar uma relação de dependência com o governo. E nós precisamos de relações institucionais, de serviços efetivos, de planejamento a longo prazo, de continuidade dos processos, de transparência, impessoalidade.
A universalização dos serviços culturais é algo urgente no Brasil. Com um sistema educacional anacrônico e falido, jamais conseguiremos dar conta de formar, informar e preparar o povo brasileiro para os desafios do novo milênio. Precisamos investir em infra-estrutura cultural. Dar acesso ao conhecimento e estimular a expressão cultural são condições para a conquista da cidadania.

Precisamos dar voz, luz e espaço de ocupação para esses atores sociais. E outros que lutam e sacrificam suas vidas para abrir brechas tanto no Estado quanto no mercado, em pleno processo de ebulição.

O crescimento do mercado cultural brasileiro está intimamente ligado às novas conquistas sociais, com as possibilidades de circulação de mensagens e imagens. Fruto da fúria e da garra de milhares de empreendedores, vimos florescer a reinvenção da arte em sua relação com o Estado e com o mercado. O custo disso para a produção cultural brasileiro não foi e não pequeno.

Na contramão disso tudo, o governo enxerga o mercado cultural como ameaça. Em plena crise financeira, estende a mão a banqueiros, à indústria automobilística e ao topo da pirâmide econômico-social. Ao setor cultural reserva a promessa de um pacote anticrise jamais cumprido, o aumento de impostos e uma campanha publicitária milionária em orçamento, porém pobre em presença de espírito e compromisso com a verdade.

A Lei Rouanet tem distorções, assim como o bolsa-família ou qualquer outra lei destinada a resolver problemas mais amplos e complexos. Não só sabemos disso, como denunciamos insistentemente o descaso do Estado em relação a ela, desde outros carnavais (e governos).
É um dispositivo complicado, pois coloca o artista e o produtor de cultura no colo daquele que, em tese, deveria contrapor. Na prática, no entanto, tem se mostrado muito eficiente no diálogo entre os diferentes mundos, sendo responsável pela retomada do senso de importância e necessidade de políticas públicas para a cultura.

Posso citar milhares de iniciativas que traduzem esse espírito, inspirando e qualificando o Estado em suas ações. Oficinas de arte que reinventaram a relação entre educação e arte, influenciando escolas e políticas públicas; cinemas itinerantes que ofereceram oportunidade e acesso à cinematográfica nacional e independente; espaços culturais alternativos; exposições paradigmáticas; circulação de espetáculos; mapeamentos de artistas e expressões culturais; pesquisas e um sem número de atividades que tomaram o espaço de um Estado ainda omisso em relação às suas obrigações constitucionais em relação à cultura.

É um espaço ocupado pela sociedade, por via do mercado – e com renúncia do Estado. Mas, antes de qualquer coisa, é um espaço da sociedade. Ele concorre com o Estado? Somente uma alma pequena poderia acreditar que sim. Ele dialoga, complementa, contribui, confronta, contrapõe, o que é fundamental num estado democrático de direito.
Concorre com o governo? Com certeza. Não queremos tirar o mérito e a importância dos governos, mas eles não nos servem de nada, se não contribuem para o fortalecimento da sociedade e suas iniciativas. O espaço público construído a duro sacrifício não pode ser ameaçado por uma aventura retórica e oportunista.

Estado forte se constitui a partir de uma sociedade fortalecida, livre, encorajada. Esse encorajamento, no campo da cultura, vem das forças empreendedoras desenvolvidas a partir de um terreno árido e difícil, com base no abandono e na renúncia do Estado.

Empreendedorismo é mais do algo natural ao artista. É necessidade. Ele precisa acreditar no que faz e desenvolver recursos internos para construir, levantar sua obra, fazer-se enxergar. E o fez de maneira heróica, resistindo a todas as forças contrárias do próprio mercado. E agora do governo, criando burocracias desnecessárias, regulamentos estapafúrdios e uma campanha de segregação que considero criminosa.

Se houver qualquer reformulação na Lei Rouanet ela deve fortalecer o empreendedor cultural. O mecanismo nasceu com essa vocação e assim deve ampliar sua capacidade, para atender a uma força emergente e avassaladora, vinda do centro, da periferia e dos Brasil profundo.
O Procultura faz o oposto disso. Coloca o produtor e o gestor cultural no limbo. Não acredita em cadeias econômicas ampliadas e num setor fortalecido, justamente naquela fatia da livre iniciativa, entre o fomento público e a indústria do entretenimento, essas sim fortalecidas com o projeto.

Sem esta fatia não haverá novos agentes no mercado. Os que já existem serão eliminados. Artistas estarão novamente nas mãos do governo e sua visão específica e às vezes ideologizada de cultura; e a grande indústria multinacional. E todo esforço será em vão.

Texto: Leonardo Brant
Pesquisador de políticas culturais. Autor do livro "O Poder da Cultura" e diretor do webdocumentário Ctrl-V
www.brant.com.br

Fonte: site www.culturaemercado.com.br