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quinta-feira, 20 de maio de 2010

MARCELO ARIEL LANÇA MAIS UM LIVRO


O escritor cubatense Marcelo Ariel lançou seu quarto livro, "Conversas com Emily Dickinson e outros poemas", obra que dá continuidade a uma escrita cheia de imagens, revelações, sonhos e a presença de outros poetas. O livro foi lançado na última terça-feira (18) em São Paulo, pela coleação Orpheu, da editora Multifoco. O livro pode ser encomendado na própria editora pelo telefone (21) 2222-3034 ou pelo endereço eletrônico contato@editoramultifoco.com.br.

Os poemas de "Conversas com Emily Dickinson..." mostram uma depuração da arte de Ariel. Eles são mais homogêneos em tamanho e temática, garantindo ao livro uma unidade que suas obras anteriores não haviam atingido. Ao mesmo tempo, o livro se abre para parcerias, como os textos escritos com as poetas Beatriz Bajo e Mariana Ianelli, e até a presença de um pseudônimo, Francisco Solar. A série "Conversando com Emyly Dickinson", cuja parte final segue abaixo, é bem característica do momento atual do escritor:

Mãos de ninguém

Professam uma delicadeza

Suprema,

não existir

é para

o intocado

como lágrimas

que jorram em sonhos

esquecidos

podem sorrir


Formação – Nome que vem recebendo destaque na poesia contemporânea nacional, Ariel costuma contar que boa parte de sua formação como leitor e autor foi feita pelos corredores e estantes da Biblioteca Municipal de Cubatão, onde escolhia livros para ler para o irmão. Essa fase definidora de sua poética está descrita em "a-monólogo", um dos poucos textos em prosa do livro:

"Aprendi a ler e escrever aos 5 anos com a Dona Marlene, minha vizinha e meu irmão Orlando classificado como esquizofrênico, que me levou a uma biblioteca quando eu tinha 8 anos. Devo a eles o que pode ser chamada de uma formação ou a formação em mim de um receptor para a lógica poética e a compreensão profunda de que ela está em oposição ao Logus industrial".

Desse universo, nasceu uma literatura marcada pela erudição e pela constante citação de outros poetas e artistas, como no próprio título de sua nova obra. Ao mesmo tempo sua poética não se afasta das questões ambientais e sociais do município, mas, ao invés de recorrer a uma já desgastada "literatura de denúncia social", o autor prefere utilizar esses elementos em uma linguagem simbólica, muitas vezes localizando seus personagens, geralmente outros escritores e artistas, em sonhos, como na prosa poética "Sonho":

"Thomas Bernhardt está sentado na cama ouvindo Brahms, Brahms atravessa a árvore e todas as possibilidades tentam um símile do Real como no Poema sobre Dante de Hans Magnus Ezsenberger onde Thomas Benhardt é ao mesmo tempo Dante e a árvore transformada em Brahms saindo dos dedos de Nélson Freire e preenchendo o quarto até que Marcelo Ariel desperte no mesmo não-lugar atemporal dos Nomes-Nume lendo a árvore".


Impressões – Além de parceira em alguns textos, Beatriz Bajo também revisou o livro para a coleção, o que a fez ter um contato estreito com os poemas de Ariel nos últimos meses. Para ela, a obra do autor cubatense apresenta uma unidade desde o primeiro livro, como se forse um manancial do qual ele vai tirando poemas: "Não vejo Ariel em partes. Ele não faz um livro, outro livro. A obra dele é uma coisa só, de onde vai piçando seus poemas". Ela compara a obra de Ariel com aqueles bonecas russas que vão se encaixando umas dentro das outras.

Mariana Ianelli, poeta que chega ao sexto livro, a ser lançado em junho, destaca a singularidade de Marcelo Ariel no cenário da literatura contemporânea brasileira. "A
parte sobre Emily Dickinson me surpreendeu pela delicadeza, é de um lirismo que falta hoje. É um escândalo que isso tenha sido exilado da literatura".

O autor - Nascido em Santos (SP) em 1968 e criado em Cubatão, Marcelo Ariel estreou na poesia com o livro "Me enterrem com a minha Ar-15" (Dulcinéia Catadora, edição artesanal, 2007); depois lançou os livros "Tratado dos Anjos Afogados" (Letraselvagem, 2008) e "O céu no fundo do mar" (Dulcinéia Catadora, edição artesanal, 2009). Poeta e dramartugo, Marcelo Ariel tem recebido críticas em jornais como a Folha de S. Paulo e publicado poemas em revistas literária como a Cult.

Marcelo Ariel pode ser acompanhado em seu blog http://teatrofantasma.blogspot.com; Beatriz Bajo mantém o blog Linda Graal (http://lindagraal.blogspot.com), e textos de Mariana Ianelli podem ser lidos em http://www2.uol.com.br/marianaianelli/index.htm.

Texto: Alessandro Atanes
Foto: José Mário Alves

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