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quinta-feira, 5 de setembro de 2013

SEDE DO CUBATÃO SINFONIA RECEBE ILUSTRAÇÕES DA ARTISTA NICE LOPES


Portas e divisórias da escola de música receberam os desenhos, inspirados nas próprias crianças atendidas pelo Programa.

A sede do Programa Cubatão Sinfonia, instalado na Cota 200, agora está colorido e cheio de Arte. “Toda essa beleza, atribuímos ao talento da ilustradora Nice Lopes, que criou todos esses desenhos inspirados nos próprios alunos”, afirma Leandro Sampaio, coordenador administrativo do Programa. Ele mostra as portas e divisórias modulares, feitas em MDF e vidro, que receberam as ilustrações da artista.

Nice Lopes elaborou diferentes desenhos mas com uma característica que é só dela: o traço inconfundível. A doçura da criança ao descobrir na música um mundo diferente e encantador está presente em cada uma das figuras. “Não há quem não se alegre com o novo visual da escola. Muitas pessoas aparecem por aqui para perguntar sobre os desenhos e são só elogios”, completa Leandro.

Nice criou essas verdadeiras obras de arte no computador e depois, os desenhos foram impressos em oito colantes especiais, seguindo diretamente para os vidros que revestem parte das salas de aula. A artista fez questão de autografar algumas das ilustrações. Em uma visita ao Programa, conheceu a escola e bateu papo com as crianças que aprendem música, canto coral e fazem parte do grupo cênico.
“Me sinto lisonjeada em ter meus desenhos ilustrando um Projeto tão importante como o Cubatão Sinfonia”, afirma Nice Lopes. A artista também já desenvolveu logotipos e a identidade visual do Programa, sempre valorizando a cor laranja, marca do Projeto. A criançada adorou a novidade e comenta pelos corredores que ficou mais divertido estudar música por lá.

Artista Nice Lope autografa um dos paineis


Nice Lopes – Nice Lopes desenha desde criança. É ilustradora, artista plástica e publicitária. Trabalha na Prefeitura de Cubatão, como Chefe da Divisão de Publicidade e ministra aulas de ilustração para crianças no Fábrica Cultural, em Santos. Já ilustrou dois livros infantojuvenis: As aventuras de Firmina Dalva e seus amigos, de Érika Freire, lançado em 2012 e A Nuvem Vermelha, de Mô Amorim, lançado em 2010, na Bienal Internacional do  Livro. Tem ilustrações publicadas na Revista Claudia, da Editora Abril, no jornal nova-iorquino The Wall Street Journal e em dois grandes livros de ilustração: Illustration Now! 2 e Illustration Now Portraits, ambos da Editora Taschen. Já desenhou estampas para a grife infantojuvenil Bicho Comeu.

Programa Cubatão Sinfonia – Criado para atender jovens de bairros de vulnerabilidade social como as Cotas e outros locais próximos, o Cubatão Sinfonia ensina música e coral desde 2007. Em todo o esse tempo, acolheu mais de 800 crianças e adolescentes, tirando-os da ociosidade no contraturno do colégio. Atualmente tem 170 cadastrados que, além das aulas, compõem os grupos de câmara, Fanfarra da Escola Maria Helena Duarte e Orquestra Jovem. Atualmente, o Programa Cubatão Sinfonia conta com patrocínio da Anglo American e Elog por meio da Lei Rouanet de Incentivo à Cultura. Isso, sem contar que desde o ano passado, o Cubatão Sinfonia tem o selo da Unicef, o que certifica a seriedade do Programa junto à criança e ao adolescente. O Programa foi semifinalista do Prêmio Itaú-Unicef, selecionado entre mais de 2922 projetos de todo o país.

Fotos: Morgana Monteiro

sexta-feira, 22 de fevereiro de 2013

MAESTRO ROBERTO FARIAS É HOMENAGEADO EM SÃO PAULO

 
Foi durante a apresentação da Orquestra de Metais Lyra Tatuí, na Sala São Paulo.

O cubatense Roberto Farias foi homenageado em um dos espaços mais imponentes do Brasil: a concorrida Sala São Paulo, no coração da Capital. Foi durante apresentação da Orquestra de Metais Lyra Tatuí, no último domingo (17). O maestro Roberto – como é conhecido pela maioria – foi lembrado no discurso do regente da Lyra, Adalto Soares. Roberto Farias hoje é coordenador artístico dos Grupos Artísticos de Cubatão e foi o criador da Banda Musical de Cubatão, em 1970, oficializada posteriormente e que deu origem à conhecida Banda Sinfônica de Cubatão (atualmente regida pelo maestro Marcos Sadao Shirakawa).

“Tenho convicção de que a filosofia pedagógica e musical implantada pelo maestro Roberto em Cubatão nos anos 70 e 80, rompeu a barreira artística e atingiu um patamar social. E isso modificou a vida não apenas dos que estavam sob sua orientação, mas toda a Cidade que vivia um período muito difícil”, afirmou Adalto.

O idealizador e diretor artístico da Lyra de Tatuí (cidade do interior paulista), Adalto Soares é cubatense, filho do ex-vereador Fulgêncio Soares. Deu início aos estudos musicais na então Banda Musical de Cubatão e lembra com saudades da época em que o Grupo desfilava e garantia a primeira colocação nos Concursos Brasil afora. De Cubatão Adalto seguiu para várias orquestras como Sinfônica de Campinas, da Paraíba, Jazz Sinfônica e Banda Sinfonica do Estado de São Paulo. Em 1987 venceu o Concurso Jovens Solistas da Osesp com uma peça composta por Farias. Há 11 anos declinou do posto de trompista da Osesp para se dedicar a projetos sociais.

A Orquestra de Metais "Lyra de Tatuí" atende crianças e adolescentes de 5 a 18 anos e vem se destacando em turnês nacionais e internacionais. O repertório eclético de extrema qualidade, garante o diferencial do grupo. Para Adalto, a experiência que ele viveu em Cubatão, a base teórica e as técnicas musicais que aprendeu com Farias foram impescindíveis para o desenvolvimento do trabalho em Tatuí: “Todos os dias quando vou dar aulas aos jovens músicos sou o Adalto, porém, com uma boa dose de Roberto”, comenta.

Texto: Morgana Monteiro
Fotos: Divulgação

sexta-feira, 2 de março de 2012

DOCE COMANDO FEMININO DOS GRUPOS ARTÍSTICOS DE CUBATÃO


Corais Zanzalá e Raízes da Serra, Cia de Dança da Sinfônica, Corpo Coreográfico: mulheres mostram seu valor coordenando centenas de artistas da cidade

Fazer arte com alma feminina. A competência e franqueza das mulheres, que tem o poder de atrair, provocar e encantar são a marca registrada daquelas que, docemente, comandam alguns dos grupos artísticos de Cubatão. No mês em que se comemora o Dia Internacional da Mulher, podemos destacar a atuação dessas profissionais de talento, que coordenam centenas de artistas, homens e mulheres, garantindo a qualidade técnica e alma ímpar desses grupos. 

São mulheres que laboram a sua Arte e demonstram uma postura diferenciada, com projetos sensíveis, como o Coral Raízes da Serra, que tem como regente Sandra Diogo Moço. O trabalho, voltado para a Terceira Idade, conta com 40 participantes, sendo que 90% são mulheres. À frente do Grupo há 25 anos, Sandra considera bastante prazeroso comandar a equipe: “Basta gostar do que se faz e valorizar tudo, sempre”, afirma. Para a maestrina, o dia 8 de março tem sentido ainda mais especial pois, além do Dia Internacional da Mulher é a data do seu aniversário. “Tenho privilégio de comemorar duas vezes!”.

A Cia de Dança da Sinfônica também tem mulheres que se inclinam ao ofício da arte. Vanessa Toledo, diretora artística, além de apaixonada confessa pela Dança, lidera com bastante clareza o grupo formado por 26 pessoas, a maioria mulheres (18). Para ela, a sensibilidade feminina colabora para o envolvimento da equipe: “Sabemos lidar melhor com a vaidade porque toda mulher é vaidosa, no bom sentido. No grupo, adotamos um olhar diferenciado onde o sentimento de equipe sempre prevalece. Essa é nossa melhor marca, que nos levou, por exemplo, ao vice-campeonato do maior Festival de Dança do mundo, Joinville, 2011”.

Outra pessoa fundamental no crescimento da Cia de Dança é a produtora Sílva Maria Santos Silva. Há 41 anos envolvida com os grupos artísticos, a “Sílvia da Banda”, como é conhecida na cidade, foi a criadora da Linha de Frente da Banda Musical que, posteriormente, se tornaram Cia de Dança e Sinfônica. Para ela, as conquistas das mulheres em todas as áreas se confundem com o amadurecimento de seus ideais e responsabilidades.

Em Cubatão, muita Arte se produziu ao longo dos tempos e várias mulheres se destacaram no comando, eliminando as desigualdades pela diferença de gênero. Gislaine Teixeira, coordenadora do Corpo Coreográfico da Banda Marcial engrossa essa premissa. Em 1992, ela lembra que levou a filha recém nascida ao primeiro ensaio como coreógrafa de uma equipe de linha de frente. Dois anos depois, já integrava o Corpo Coreográfico, formado somente por jovens mulheres. Para Gislaine, a liderança feminina se resume em comprometimento absoluto, disciplina e ao mesmo tempo, sensibilidade.

E para comandar um grupo com 60 vozes, 60% de mulheres, Maria Fernanda Tavares se vale da maleabilidade feminina e do exercício de escutar o outro para liderar o Coral Zanzalá. Envolvida com o grupo desde os anos 70, a maestrina acredita que consegue dar formas, nuances e sopro de vida às canções interpretadas pela equipe por conta do incentivo ao talento natural dos participantes. “Todos os artistas são sensíveis, homens ou mulheres, porque é um requisito básico para a profissão. Acho que todos devem fazer tudo por amor à Arte, é isso que eu sempre digo”.

A equipe conta, ainda, com a regente-assistente Nailse Cruz, outro exemplo de versatilidade. Advogada, funcionária pública, também regente do Coral dos Servidores, ajuda na coordenação do Zanzalá e acredita na imensa capacidade feminina de doação e de exercer a solidariedade. “Entendemos os problemas que não são comuns aos homens, quando, por exemplo, o filho de alguma cantora está doente ou temos nossa cólica mensal. Mesmo com jornada dupla ou tripla, nos desdobramos para fazer o nosso melhor”, afirma. Nailse lembra que por muito tempo, a Música era o único canal de expressão da mulher, quando ela ainda não podia votar ou trabalhar fora. Para ela, atualmente, a mulher não é só artista quando faz isso profissionalmente, mas também quando cumpre o papel de esposa, filha, mãe, amiga. “A mulher é uma artista nata”, diz Nailse.


Nailse Cruz, regente-assistente do Coral Zanzalá: um dos exemplos de versatilidade e sensibilidade no comando dos Grupos Artísticos

Texto: Morgana Monteiro
Foto: Carlos Felipe

sexta-feira, 6 de janeiro de 2012

GRUPOS ARTÍSTICOS DE CUBATÃO: TALENTOS RECONHECIDOS NO EXTERIOR

Transcritor musical dos Grupos, João Victor Bota, tem músicas interpretadas em Nova Iorque, Espanha, Noruega e vários países da América Latina

Uma canção composta para brilhar no piano ganha nova versão, sem, contudo, perder a essência: criar arranjos e transcrever músicas para as mais diferentes formações musicais como banda sinfônica, banda marcial e até coral, é o trabalho de João Victor Bota. Ele é o transcritor musical dos Grupos Artísticos de Cubatão, no cargo há três anos.

Aos 29 anos de idade, João Victor é graduado e mestre em Música pela Universidade de Campinas (Unicamp), professor da Escola de Música do Estado de São Paulo (Emesp) e um compositor da melhor qualidade. Além de elaborar lindas músicas para os Corpos Estáveis de Cubatão (Banda Sinfônica, Banda Marcial, Coral Zanzalá, Programa BEC), o artista tem sido reconhecido internacionalmente por seus trabalhos.

João Victor compôs a música “Zênite”, uma homenagem ao pianista Almeida Prado – que teve estreita ligação com a Cultura de Cubatão. A peça foi estreada em outubro, pelo violista Peter Pas, em Nova Iorque (EUA), durante o Festival Sounds of a new century (Sons do novo século), que reúne instrumentistas e compositores de todo o mundo. A composição foi elaborada a pedido da Camerata Aberta, grupo brasileiro de Música Contemporânea, que se apresentou no Festival.

Ainda em 2011, Bota teve a canção “Cordas parassimpáticas” tocada pela Orquestra Petrobrás Sinfônica, no Rio de Janeiro. De acordo com o compositor, a obra é “uma espécie de “Concerto de Brandeburgo bachiano com as notas erradas, por assim dizer. Algo como uma paródia do quadro de Monalisa, na qual a modelo retratada teria um grande bigode. Os compositores que de certa forma surgem, além de Bach, são Schoenberg, Messiaen e Bartók, todos eles dialogando entre si”.

Ano passado, “Abertura LP”, também de autoria de João Victor, foi tema de concerto da Banda Sinfônica de Córdoba, na Argentina, com a regência da maestrina Rosa Briceño. Entre os anos de 2008 e 2009, a música “Catira Paulista”, fez parte do repertório de bandas sinfônicas e orquestras da Espanha, Noruega, Colômbia, Argentina e Venezuela.

Transcrições musicais são até “exportadas” – várias obras de transcrição realizadas por Bota têm feito parte dos programas musicais de vários grupos pelo mundo. Um exemplo disso é o arranjo da “Abertura em ré”, do Padre Nunes Garcia, executada em novembro passado pela Sinfônica de Bilbao, na Espanha, sob regência do maestro Dario Sotelo. Esta equipe está entre as 10 bandas sinfônicas mais importantes do mundo. Ainda este ano, aconteceu a publicação do arranjo de “Valsa do Primeiro Baile”, de Sidney Barreto, pela editora Kalmus, dos Estados Unidos.

O trabalho minucioso do João Victor arrancou elogios até de Gilberto Mendes, sumidade no campo da Música Contemporânea Brasileira. Mendes teve sua obra “Ponteio” transcrita por Bota e apresentada ano passado pela Sinfônica de Cubatão. A galeria de arranjos inclui, ainda, transcrições de músicas de Villa-Lobos, Padre Nunes Garcia e até da banda de rock Queen (para o projeto “Queen Sinfônico”, que virou Dvd). “É um trabalho praticamente artesanal. Crio arranjos sem perder o conteúdo e o diferencial da música original. Tenho que manter viva a identidade do compositor”, afirma.

Atualmente, João Victor tem trabalhado na transcrição de “Partita”, de Franz Krommer (1759-1831), elaborada para a Banda Marcial de Cubatão. O compositor é um contemporâneo de Beethoven, infelizmente, pouco conhecido. Krommer escreveu várias músicas instrumentais, bastante virtuosísticas, que valorizam a técnica dos instrumentistas de sopros.

Buscando a excelência – João Victor esteve entre os meses de agosto e setembro, participando de um curso de composição musical no Conservatório de Amsterdã, Holanda, promovido pelo Atlas Ensemble. Bota foi um dos brasileiros selecionados para as aulas, que sempre acontecem uma vez por ano. Aprendeu sobre a cultura musical de diversos países, com professores renomados. Em 2011, o enfoque foi a música e os instrumentos tradicionais da Ásia e do Oriente Médio.

A programação contou com palestras e concertos onde foram apresentadas as possibilidades de utilização desses instrumentos, desconhecidos para a maioria. Houve, por exemplo, a utilização do sheng, instrumento de sopro da música tradicional chinesa e a clarineta, componente habitual de orquestras e bandas sinfônicas.

“O curso foi uma excelente oportunidade. A partir de agora, poderei testar ideias musicais escritas para conjuntos instrumentais que reúnem músicos virtuoses, de diversos países. Isso é muito enriquecedor porque um grupo musical integrado por instrumentistas de estilos tão diferentes entre si estimula a criação de sonoridades inusitadas”,  diz João Victor, suspirando acordes.

Texto: Morgana Monteiro

segunda-feira, 14 de março de 2011

UM MÚSICO CUBATENSE EM HOLLYWOOD

O trompista Marcelo da Silva participou de sessão de gravação nos estúdios da Sony, que produz canções para o cinema


Um músico da Banda Sinfônica de Cubatão realizou um sonho que poucos instrumentistas do mundo têm oportunidade de ver concretizado em sua jornada profissional: o trompista Marcelo da Silva participou de sessões de gravação nos estúdios da Sony, que produz as trilhas sonoras para os filmes de Hollywood. A estadia de Marcelo nos Estados Unidos durou pouco mais de um mês e incluiu, ainda, aulas com um dos maiores trompistas da atualidade, James Thatcher.

O convite para o cubatense ir até Los Angeles partiu do próprio professor norteamericano, que conheceu o trabalho de Marcelo através de outros músicos, amigos em comum. Marcelo participou de oficinas ao lado de James Thatcher, onde trouxe na bagagem truques sutis que facilitam a vida do músico e produzem uma sonoridade mais sofisticada. O músico norteamericano, com pouco mais de 50 anos, já dividiu o palco com nomes como Frank Sinatra e Michael Jackson. Uma aula de Thatcher hoje custa cerca de R$ 500,00 (U$ 300).



O músico cubatense percorreu os estúdios da Universal, Warner e participou de duas gravações na Sony, sendo que uma das trilhas era uma encomenda da Disney, para um desenho que ainda nem recebeu nome. Em outro dia, pôde acompanhar a preparação dos músicos para dar início às canções que vão compor a superprodução “Piratas do Caribe 4”. “Foi maravilhoso conhecer os músicos que fazem parte da Orquestra, pessoas de várias partes do mundo. Fiquei impressionado com o nível deles”, afirmou.

Marcelo aprendeu algumas técnicas de utilização da trompa na gravação de trilha sonora para filmes, o que é bastante diferente de tocar em uma orquestra, por exemplo. “É preciso de muita concentração, pois não podemos errar. Os estúdios pagam milhões de dólares por essas músicas e precisam de um retorno em qualidade dessas orquestras, a pressão psicológica é enorme. Além disso, fazer aulas com o Thatcher foi um sonho realizado para mim”, disse, ainda emocionado com a oportunidade.

Nascido em Cubatão, Marcelo da Silva conheceu a música aos sete anos, quando tocava corneta e trompete na fanfarra do colégio. Na adolescência, fez aulas de teoria musical e instrumentos de sopro com os maestros Roberto Farias, Sidney Gomes e Olavo Bellintani. Ainda jovem passou a integrar a Banda Sinfônica de Cubatão. Já participou de várias orquestras pelo Brasil, inclusive a Osesp. Hoje também dá aulas em projetos sociais como o Programa BEC (Banda Escola de Cubatão) e Instituto Baccareli.

Esta é a segunda vez que Marcelo da Silva vai aos Estados Unidos. Em 2009, o músico ganhou uma bolsa de estudos na Universidade de Indiana e fez um curso no nível de doutorado com o trompista Myron Bloom, um dos mais importantes instrumentistas contemporâneos. “Para mim, percorrer o mundo por causa da música é demais”, diz Marcelo.

Texto: Morgana Monteiro
Foto: Acervo do artista

domingo, 5 de dezembro de 2010

PROGRAMA BEC FORMA PRIMEIRO ALUNO

   Edson Souza da Silva agora é percussionista formado pela Banda Escola de Cubatão

A noite desta quinta-feira foi especial para Edson Souza da Silva: ele é o primeiro aluno a se formar pelo Programa Banda Escola de Cubatão – BEC, realizando uma conquista inédita. O jovem completou os 10 módulos de aprendizado em Percussão Erudita propostos pelo Programa. Foram cinco anos de muita dedicação, desde quando ingressou na escola livre de música.

A formatura do jovem músico aconteceu nesta quinta-feira (2/12) à noite, na sala de audições do Conservatório Municipal, gentilmente cedida pela direção. Visivelmente emocionado e acompanhado por uma plateia cheia de professores, parentes e amigos, Edson encantou com canções-estudo da percussão e demonstrou total agilidade e domínio dos instrumentos vibrafone, tímpano, caixa e xilofone em peças solo e outras vezes, acompanhado por outros músicos, também estudantes de violino e piano.

Para o Coordenador Geral do BEC, Maestro Marcos Sadao Shirakawa, a formatura de Edson é um marco na história do Programa. O Maestro parabenizou o músico, agradeceu a presença de todos e desejou uma carreira brilhante ao percussionista, e ressaltou que essa formatura só vem ressaltar a qualidade do ensino oferecido no local. “Estamos radiantes com essa conquista”, afirmou.

Durante esses anos de estudo na música, Edson ingressou na Banda Marcial de Cubatão, através de processo seletivo. Este é, aliás, um dos objetivos do Programa BEC: os Grupos Artísticos de Cubatão com os talentos descobertos na escola, gente que poderá fazer parte, também, da Banda Sinfônica, Cia de Dança, Grupo Rinascita e Coral Zanzalá.

Cubatão, celeiro de talentos – Edson tem uma história muito parecida com tantos outros músicos cubatenses, jovens ou não. Começou a se integrar nesse mundo das Artes ainda no ensino fundamental. Com apenas 11 anos de idade ingressou na Banda de Tambores José da Costa, da qual participa até hoje, repassando o que aprendeu a outras pessoas. Em 2005 iniciou o Curso de Percussão Erudita no BEC porque desejava se profissionalizar. Foi ali que encontrou monitores competentes e verdadeiros amigos: “Meu muito obrigado aos professores Kelly Regina Cabral, Jonatas Rodrigo da Silva e Natali Calandrim. Eles foram muito importantes nesse processo de formação musical e se tornaram grandes amigos meus”, disse Edson.

Da esq. para dir.: Jonatas Silva (percussionista), Edson, Maestro
Marcos Sadao (Coord. Geral BEC) e Davi Rosalino (Coord. de
Atividades do BEC)
Atualmente, o jovem é o líder da Percussão na Banda do BEC, o que os músicos costumam chamar de “chefe de naipe”. Pensa em fazer Faculdade de Música e se especializar ainda mais. A formatura de Edson é mais uma prova de que investimento na Música em Cubatão vale a pena, pois a cidade não pára de produzir ótimos artistas. O Programa BEC funciona como uma escola livre de música e é mantido pelo governo municipal. Além da sede que funciona no Parque Anilinas, conta com outros pólos de iniciação musical em bairros carentes, somando cerca de 700 alunos.

Texto e fotos: Morgana Monteiro

quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

PROGRAMA BEC FORMA PRIMEIRO ALUNO

Edson Souza da Silva conclui curso de Percussão nesta quinta-feira (2/12)

O Programa Banda Escola de Cubatão (BEC) dá mais um passo em direção à formação profissional de seus alunos. Nesta quinta-feira (2/12) às 19h, o aluno Edson Souza da Silva realiza uma conquista inédita no BEC: será o primeiro aluno a concluir os 10 módulos de aprendizado em Percussão propostos pelo Programa. Para o Coordenador Geral do BEC, Maestro Marcos Sadao Shirakawa, a formatura de Edson é um momento bastante importante pois ressalta a qualidade do ensino oferecido no local.

Edson sempre se interessou por música, em especial, pela percussão. Há 10 anos ingressou na Banda de Tambores José da Costa (que faz questão de participar até hoje). Em 2005 iniciou o Curso de Percussão Erudita no Programa BEC com a monitora Kelly Regina Cabral. Desde então, participou de vários grupos da escola. Atualmente é o líder da Percussão na Banda do BEC, o que os músicos costumam chamar de “chefe de naipe”. O aluno conclui todos os módulos propostos pelo Programa, incluindo dois cursos complementares de Harmonia e Percepção Musical na Escola Técnica de Música e Dança (ETMD) “Ivanildo Rebouças da Silva”.

Da um simples aluno, Edson conseguiu ingressar na Banda Marcial de Cubatão, através de processo seletivo. Este é, aliás, um dos grandes objetivos do Programa BEC: através do talento e dedicação dos seus alunos, suprir os Grupos Artísticos de Cubatão com esses jovens em formação. Além da Banda Marcial, os grupos como Sinfônica de Cubatão, Coral Zanzalá e Grupo Rinascita investem nesses jovens músicos.

A formatura de Edson acontecerá em forma de recital, dentro da escola ETMD. O repertório a ser executado pelo percussionista inclui peças solo de vibrafone como “Prelude and Blues” (Ney Rosauro), o solo de tímpano “Estudo 1” (Vic Firth), solo de bateria entitulado “A minute of news” (Eugene Novotney), além de participação junto ao Grupo de Cordas do BEC com a canção “Concerto para violino” (Johann Sebastian Bach) e um dueto com a pianista Carolina de Souza com uma peça em que executará o xilofone, “Valse Brilliant” (George Hamilton Green). Todas essas músicas são assinadas por grandes nomes da música erudita.

Texto: Morgana Monteiro

terça-feira, 17 de agosto de 2010

TALENTO DA BANDA MARCIAL DE CUBATÃO PARTICIPA DE CURSO NA FRANÇA


Sabrina Araújo embarca amanhã para estudar no Festival de Música de Limoges, um dos mais importantes da Europa.

Que jovem músico já não pensou em sair do seu país, viajar por novas terras conhecendo outras culturas? Uma integrante da Banda Marcial de Cubatão tem, agora, a oportunidade incrível de vivenciar o que estava apenas no campo da imaginação: Sabrina Araújo embarca nesta terça-feira (17/8) para a França para estudar trompete. Ela foi convidada para participar do Festival de Música de Limoges, considerado um dos mais importantes da Europa.

Aos 24 anos e há dois integrando o naipe de trompetes da Banda Marcial, Sabrina encontrou neste Grupo Artístico de Cubatão, o incentivo para continuar se aperfeiçoando. Sua paixão pela música começou aos 12 anos, ao ingressar na Banda Marcial do colégio em que estudava, em Ribeirão Preto, interior do estado. Aos 15 anos já lia partituras e adotou o trompete como instrumento musical. Formada em Música pela USP, Universidade de São Paulo, a história da viagem internacional começou em janeiro deste ano, quando Sabrina participou da Oficina de Música de Curitiba, no Paraná. Lá, teve aulas com o professor francês Piérre Dutot, que a reconheceu como um dos grandes talentos musicais do congresso.

A musicista conta que o convite para a viagem chegou no fim do mês passado: "Levei um susto quando recebi a informação de que iria participar do Festival! Afinal, são poucas pessoas no mundo convidadas a integrar o grupo de estudantes bolsistas. Me senti lisongeada", explica, feliz da vida. Ela vai passar duas semanas na França estudando cerca de seis horas por dia – teoria e prática - e deve, ainda, participar de oficinas, concertos, e acompanhar apresentações de Orquestras e Bandas de várias partes do mundo.

Para a estudante, essa viagem para o exterior, além de ampliar seus conhecimentos musicais e experiência de vida, é uma grande oportunidade para divulgar a música brasileira. "Se eu for convidada para mostrar a música do meu país, já estou preparada. Vou apresentar o nosso 'chorinho' aos europeus", diz a musicista. E afirma que já colocou na mala as partituras de canções como "Carinhoso", "Rosa" e "Doce de côco".

Um desejo comum à grande maioria dos jovens músicos é aperfeiçoar sua arte na Europa, berço da música clássica. O Festival de Limoges deve possibiltar à essa estudante um intercâmbio que reúne formação técnica e vivência cultural. "O contato com uma realidade diferente é sempre uma experiência enriquecedora. No caso de estudantes de música, o contato com a música erudita feita na Europa, com professores formados lá, traz um diferencial na sua formação", afirma o Maestro Roberto Farias, Coordenador dos Grupos Artísticos de Cubatão. E ainda que apareçam algumas dificuldades neste percurso musical, o importante é ser paciente e curioso, sempre mantendo a mente aberta a novas possibilidades.

Texto: Morgana Monteiro
Fotos: Acervo do artista

sexta-feira, 2 de julho de 2010

TALENTO E SENSIBILIDADE A SERVIÇO DA ILUSTRAÇÃO

Moradora da Vila Nova, Nice Lopes tem seus trabalhos reconhecidos dentro e fora do país

Quem vê essa mulher de jeito tímido e olhar meigo, com pouco mais de um metro e sessenta, nem imagina a concentração de talento e sensibilidade que essa artista apaixonada pelo desenho possui. Eunice Aparecida Lopes, ou simplesmente, Nice Lopes, nasceu em Santos, mas reside no bairro da Vila Nova, em Cubatão. Como ela mesma se define, apaixonada por ilustração, moda, boleros e Tim Burton.

A artista, que é formada em Publicidade, tem no currículo inúmeros trabalhos reconhecidos dentro e fora do País. Ela conta que desde pequena gostava de desenhar, mas foi pela influência de um vizinho, o Dedéco, que a sua intimidade com a arte desabrochou. "Eu ficava observando-o desenhar e achava muito bonito. Comecei a desenhar por hobby, não tinha nenhuma intenção de ganhar dinheiro com isso".

De família mineira, Nice fala que o pai Zildo Dionísio Lopes veio para Cubatão em 1968, com a esposa Geni Lina da Silva Lopes, para trabalhar na indústria. Moradores do interior de Minas, trabalhavam como cortadores de cana. As dificuldades eram muitas e - a exemplo de milhares de brasileiros - saíram do campo, à procura de uma vida melhor na cidade. Morando aqui, Zildo e Geni tiveram três filhas: Nice, Edina e Regina. "Os meus pais vieram para Cubatão, passaram por muitas dificuldades. Apesar de tudo, eles sempre nos incentivaram a estudar, com muito sacrifício pagaram escola particular para eu e minhas irmãs".

A mãe Geni foi sua maior incentivadora. "Ela ficava toda orgulhosa quando eu ganhava os concursos da escola". E acrescenta: "As pessoas chegavam lá em casa e ela ia logo mostrar os meus desenhos, coisa de mãe coruja", risos.

Aos 14 anos, Nice sofreu uma perda irreparável, o falecimento de sua mãe: "Com a morte dela, não tinha muito tempo para desenhar; como sou a filha mais velha, tomei para mim a responsabilidade de cuidar de minhas irmãs menores, Edina e Regina, enquanto meu pai trabalhava".

Nice passou algum tempo longe dos desenhos, mesmo sendo inegável o seu talento. Em 1993, a ilustradora se formou em Publicidade, na Universidade Católica de Santos, Unisantos. Depois de formada, foi morar em São Paulo, onde trabalhou por alguns anos. O retorno para o desenho só ocorreu depois que ela, ao visitar uma exposição sobre o mundo das fadas, na Livraria Pagu, em Santos, se sentiu encantada e decidiu voltar a desenhar.

Aos 34 anos e morando em São Paulo, resolveu se matricular no curso de Desenho de Moda, no Senac. Após terminar esse curso, Nice foi em busca de clientes e começou a trabalhar fazendo estampas para empresas. Desenhava para algumas confecções e conseguia se manter com este trabalho. Foi aí que teve a ideia de montar um blogue para expor seus trabalhos. "A minha intenção foi atrair mais clientes. Comecei a trabalhar com headers (cabeçalhos para blogues), confeccionar cartões, fazer ilustrações, e assim consegui me firmar na área", revela.

Em 2006, voltou a Cubatão depois de ser aprovada no Concurso Público da Prefeitura, onde trabalha até hoje na área de publicidade. Nas horas vagas, que não são muitas, continua trabalhando em diversos projetos. Entre eles estão a ilustração do livro A Nuvem Vermelha, de Mônica Amorim, que será lançado pela Editora Adonis, ilustrações para a Revista das Lojas Riachuelo do Dia das Mães, uma pocket (mini-revista) Outubro Rosa – um projeto da Federação Brasileira de Instituições Filantrópicas de Apoio à Saúde da Mama (Femana), que divulga e conscientiza as mulheres sobre a prevenção ao câncer de mama; cabeçalho do blogue It Girls; estampas para a Coleção primavera/verão da grife infantil Bicho Comeu, de Solange Meneghel, que foi capa da revista Caras, em outubro num desfile da griffe, em Angola.

Nice tem alguns de seus trabalhos transformados em pôsteres que se encontram no site de compras do Pôster Lounge; suas ilustrações estão no B-Coolt (Boletim digital com a programação cultural de São Paulo), além de uma de suas ilustrações ter virado tatuagem. Seu nome consta no livro "Ilustration Now", da editora Taschen, que reuniu 150 ilustradores do mundo todo. A obra é destinada a designers, ilustradores e quem aprecia arte. Foi publicada em três idiomas: português, espanhol e italiano.

A artista e algumas de suas belas ilustrações. Os desenhos fazem parte de revistas, catálogos, sites. É a arte de Nice Lopes rodando o mundo!

No início de sua carreira como ilustradora, seus trabalhos eram mais comerciais. A partir de 2008 resolveu fazer um trabalho mais autoral, voltado para o período de sua infância. "O desenho que faço das meninas cabeçudas e pescoçudas tem haver com o universo onírico, da fantasia", comenta. "Me inspiro muito no trabalho de Tim Burton".

Nice elaborou um belíssimo calendário de 2010 baseado em histórias clássicas da literatura infantil com personagens como Alice no País das Maravilhas, Peter Pan, Barba Azul, Branca de Neve, Pequeno Príncipe, entre outros. "Esta fase do meu trabalho buscou resgatar a minha infância e as experiências que marcaram minha vida". Ela completa, dizendo: "O desenho sai com mais alma; quando você busca inspiração em experiências pessoais, eu acabo me emocionando e emocionando as pessoas que curtem o meu trabalho", conclui.

Uma das ilustrações do Calendário 2010

Outra realização da artista foi a publicação "A nuvem vermelha", da escritora Mô Amorim. Nice teve a oportunidade de criar as ilustrações do livro que retrata de uma maneira bastante peculiar a cidade de Cubatão.

A publicação "A nuvem vermelha" de Mô Amorim com ilustrações da Nice Lopes

Para conhecer mais sobre o trabalho da artista, acesse www.nicelopes.blogspot.com

Texto: Ana Borges
Foto: Dilson Mato Grosso

segunda-feira, 7 de junho de 2010

MAIS UM TALENTO DE CUBATÃO NO CIRCUITO MUSICAL BRASILEIRO


Eduardo Cordeiro, monitor de viola do BEC e do Cubatão Sinfonia, ingressa na Orquestra Sinfônica de São Paulo.

Se você pensa que música clássica é coisa de antigamente, do tempo que a sua avó apreciava, melhor rever seus conceitos. Em Cubatão, o cenário musical clássico também é jovem. Uma prova disso é o músico Eduardo Cordeiro, de 24 anos, que dá aulas de viola sinfônica a adolescentes da cidade. Ele é o mais novo contratado da Orquestra Sinfônica do Teatro Municipal de São Paulo, uma das mais importantes do país. O processo seletivo reúne músicos de todo o país e representa um salto no currículo de qualquer instrumentista. Eduardo também integra a Orquestra Jazz Sinfônica do Estado, sendo mais uma prova da vocação que Cubatão tem em produzir competentes artistas.

O que chama a atenção na trajetória de Eduardo é rapidez com que o jovem se profissionalizou. Conheceu a música aos 15 anos – para ele, tardiamente – quando começou a ter aulas de viola sinfônica dentro da igreja evangélica que frequentava, em Santo André. Foi neste mesmo espaço que encontrou o maestro Roberto Farias, músico experiente nascido em Cubatão, que percebeu o talento escondido no jovem. E foi do próprio maestro que Eduardo ganhou a sua primeira viola: “Eu estava em casa e ouvi um carro buzinando em minha porta. Quando fui ao portão, não acreditei quando vi o maestro Roberto com uma viola novinha nas mãos! Este foi o meu primeiro instrumento musical. Essa atitude mudou completamente a minha vida”, afirma, emocionado, o jovem músico.

Nesta mesma época, Eduardo ingressou na EMESP – Escola de Música do Estado de São Paulo – onde começou a estudar viola, passando depois pela Escola Municipal de Música de SP. Aos 17 anos, antes mesmo de se formar no Ensino Médio, Eduardo foi aprovado em dois concursos: da Orquestra Jovem do Estado e da Orquestra Sinfônica de Santo André, se tornando o mais jovem músico a ser contratado por orquestras profissionais. A graduação só aconteceu em 2006, quando se formou em bacharel em Viola Sinfônica pela Faculdade Mozarteum. Eduardo foi lapidando seu talento através de cursos e oficinas como o Festival Internacional de Música da Áustria, que participou como convidado, apenas 5 anos após ter iniciado os estudos.

Pelos caminhos da música, chegou a Cubatão – Eduardo conta que sempre ouvia falar sobre Cubatão e o grande celeiro de artistas que a cidade se tornou. No último ano de faculdade foi convidado pelo mesmo maestro Farias a participar de um processo seletivo para ser monitor de viola no Programa BEC. E desde 2006, o jovem dá aulas do instrumento tanto no BEC quanto no projeto Cubatão Sinfonia. Cheio de orgulho, Eduardo diz que Cubatão representa o lugar em que pode retribuir o bem que foi feito a ele, acreditando nestes jovens e dando a chance de ter uma vida melhor, ensinando-os que é possível lutar por isso e vencer. E é toda essa experiência e talento que os jovens cubatenses têm disponível nas aulas. “Aprendi que a música tem o poder de mudar vidas em todos os sentidos. Basta querer e acreditar”, arremata o jovem músico.

Texto: Morgana Monteiro

quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010

PEQUENO GRANDE TALENTO: O CUBATENSE RAFAEL PIVATO


O jovem músico, um trompista de apenas 11 anos, foi aprovado na EMESP – Escola de Música do Estado de São Paulo “Tom Jobim”, uma das mais importantes do país.

A vocação artística de Cubatão continua florescendo e agora, em pessoas cada vez mais jovens. Um exemplo disso é Rafael Pivato, de apenas 11 anos, que integra a Banda Marcial Infantil da cidade. O pequeno músico foi aprovado no teste e garantiu uma vaga para estudar na EMESP, Escola de Música do Estado de São Paulo “Tom Jobim”, um dos centros de aprendizagem musical mais concorridos do país. “Fiquei muito feliz em conseguir a vaga e não vejo a hora das aulas começarem”, diz Rafael, cheio de expectativas.
Em meio a mais de
30 candidatos, o pequeno músico ficou com o honroso 4º lugar. Em março começa a freqüentar as aulas teóricas e práticas do instrumento chamado “trompa”. Para o maestro Paulo Henrique, regente da Banda Marcial Infantil, essa grande conquista é motivo de muito orgulho: “Esse é o resultado de muito esforço e trabalho por parte da equipe da Banda Marcial Infantil em conjunto com os pais e alunos”, afirma o maestro.

Rafael Pivato Silva começou a estudar música bem cedo, aos 4 anos de idade, por influência dos familiares que integravam o grupo musical de uma igreja evangélica e foi incentivado, principalmente, pelo tio Rubens Araújo, que também é músico - toca “tuba” na Banda Sinfônica do Estado. Desde então, Rafael não parou mais. Dos primeiros ensinamentos no curso de Musicalização do BEC com a professora Claudete, passou a integrar a Banda Marcial Infantil alguns anos depois.


A escolha do instrumento foi bastante curiosa: Rafael queria mesmo tocar violino, mas como é canhoto, encontrava dificuldades em praticá-lo, uma vez que teria que usar as cordas invertidas. Como a trompa é um instrumento em que o músico aciona as teclas ou “chaves” com a mão esquerda, o jovem preferiu seguir este caminho. A paixão pelo timbre incorpado só veio amadurecer a decisão.
Como qualquer outro menino de sua idade, Rafael Pivato, morador do Jardim Casqueiro, tem outras suas preferências: pratica caratê e é apaixonado por trilhas sonoras de filmes de ação e ficção científica, figurando entre seus preferidos, os temas de Star Wars e Indiana Jones. Os pais dele sabem que a música deve ser o destino do filho e que neste sonho, a oportunidade de estudar na EMESP será o caminho para revelar ao Brasil, quem sabe, o talento de um grande trompista.

Texto: Morgana Monteiro

sexta-feira, 29 de janeiro de 2010

MÚSICO DA BANDA SINFÔNICA DE CUBATÃO GANHA BOLSA DE ESTUDOS NOS EUA


Marcelo da Silva fez aulas com um dos mais importantes instrumentistas de trompa do mundo, Myron Bloom. Ganhou bolsa para fazer curso a nível de doutorado na Universidade de Indiana.

Marcelo da Silva, trompista da Banda Sinfônica de Cubatão, reafirma a vocação artística da cidade que não pára de exportar talentos. O músico ganhou uma bolsa de estudos na Universidade de Indiana, nos Estados Unidos em 2009. Esteve lá em junho do ano passado e retornou neste início de 2010. “Serão quatro anos de curso a nível de doutorado, o que nos EUA é uma das mais altas graduações de um músico profissional”, explica Marcelo. Ele vai participar do Curso de Estudante Visitante e todo verão norte-americano (que no Brasil equivale aos meses de junho, julho e agosto) Marcelo segue para a Universidade onde participará de Oficinas e, quem sabe, poderá até integrar periodicamente a Banda Sinfônica e Orquestra da Universidade de Indiana.

Mas tudo começou com um Curso de Aprimoramento em 2008. A oportunidade de passar um mês estudando no exterior surgiu quando o diretor da Faculdade norte-americana visitou um Instituto em São Paulo onde Marcelo era monitor e o viu tocando. Se impressionou com a qualidade técnica do músico e mais ainda, ao descobrir que Marcelo não possuía formação acadêmica. Sete meses depois, o instrumentista recebia a carta oficial da Universidade para fazer aulas ao lado de Myron Bloom, um dos maiores trompistas dos últimos tempos.

Um talento extraordinário – Para o músico cubatense fazer uma especialização ao lado de Myron Bloom era praticamente um sonho. No primeiro dia de aula, o trompista norte-americano pediu para que Marcelo fizesse uma demonstração. Após ouvir o som, a melodia, Bloom disse apenas: “Você é fantástico!”. O professor decidiu emprestar o próprio instrumento durante as aulas: uma trompa feita na Alemanha, de liga de ouro e prata, com mecanismos regulados por computador, diferenciais que proporcionam um som completamente diferente, lembrando até as Trompas usadas em grandes Orquestras como a de Vienna.

Marcelo conheceu diferentes técnicas e truques sutis que facilitam a vida do músico. Aprendeu a usar a Trompa em “fá” (hoje usa-se muito em “si-bemol”) o que dá um pouco de trabalho, porém, traz uma sonoridade mais sofisticada. Aos 85 anos de idade, Myron Bloom é considerado no mundo erudito um dos maiores instrumentistas de Trompa dos últimos tempos. Integrou grandes Orquestras como a de Cleveland. “Eu estive ao lado de um mito, sempre fui fã de Bloom! Conheci outro país, outra cultura, aprendi mais sobre a Trompa, um instrumento que eu tanto amo... Pra mim, percorrer o mundo por causa da música é demais”, diz Marcelo. O músico cubatense deixou a Universidade com o instrumento de Myron Bloom nas mãos, que ganhou de presente, e ainda recebeu o “Título de Máxima Distinção” da Universidade de Indiana, certificado dado a pessoas com talento extraordinário.

Ele sempre quis ser músico – Nascido em Cubatão, Marcelo da Silva teve o primeiro contato com a música aos 7 anos, quando morava em uma casa simples no Parque das Bandeiras, em São Vicente. Começou em Fanfarras de colégio, tocando Corneta e Trompete. Na adolescência passou a ter aulas de Teoria Musical e Trompete em Cubatão, com os maestros Roberto Farias, Sidney Gomes e Olavo Bellintani. Ainda jovem participou da Banda Musical de Cubatão e posteriormente, Banda Sinfônica. Não frequentou Faculdade, no entanto fez muitos cursos na Escola Municipal de Música de São Paulo, Universidade Livre de Música “Tom Jobim”. Ganhou por dois anos o “Concurso Nacional de Música da Fundação Vitae”.

Desde 1997 faz aulas de Trompa com o professor Daniel Havens. Já integrou as Orquestras Sinfônicas de Santos, de Ribeirão Preto, do Estado de Goiás, a Municipal de Goiânia, a Banda Sinfônica do Estado. Também foi músico convidado do Teatro Municipal de São Paulo para uma temporada de ópera, convidado da Osesp (Orquestra Sinfônica do Estado de São Paulo). Foi regido pelo grande maestro brasileiro Eleazar de Carvalho em 1987. Trabalha em projetos sociais, atuando como monitor do BEC e do Instituto Bacareli. Casado, tem 2 filhas e ano passado voltou a morar no Parque das Bandeiras, em São Vicente, em uma casa ao lado daquela quem que vivia com os pais, onde tudo começou.